Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Revelação, Julia Vargas aprofunda seu trabalho em álbum sensível
O novo disco da cantora traz nove faixas e participações de Zélia Duncan e Roberta Sá
Ao longo de 15 anos de carreira, Julia Vargas lançou o disco solo Pop Banana (2017), realizou trabalhos em parceria, como com o grupo Os Barnabés (2015), com as feríssimas Duda Brack e Juliana Linhares no projeto Iara Ira (2019), e o EP Bruta Flor (2021), ao lado do Duo Gisbranco, formado por Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco. Também participou de álbuns como o excelente Estopim (2024), de Chico Chico, e já dividiu o palco com Milton Nascimento, em 2014, entre outros nomes.
Nesse percurso, Julia Vargas mostrou fluência e força musical, firmando-se como uma revelação da música brasileira.
Agora, mais madura, a cantora apresenta o novo álbum solo, D’Água (Biscoito Fino), com nove faixas — três delas autorais — e participações de Zélia Duncan e Roberta Sá. No disco recém-lançado, ela revela o amadurecimento da voz e um aprofundamento de sua pesquisa musical. “É uma voz mais suave”, diz sobre o novo trabalho.
Julia conta que D’Água “traz uma outra cor e estética” em relação aos projetos anteriores. “É um álbum de grande sensibilidade, feminino, diferente do que já fiz”, afirma. A primeira faixa do disco é uma regravação de Comportamento Geral, da safra de canções de Gonzaguinha marcada pelo inconformismo, pela crítica e pela contestação.
“É muito interessante observar o tempo que a música tem e o quanto ela ainda traduz o que vivemos. É uma música de cunho político, de extrema importância diante do trabalho que eu tenho feito. Ela é a música mais intensa e visceral do disco”, conta.
Outra regravação do álbum é Maluca, de Luís Capucho, conhecida na voz de Cássia Eller, que Julia registrou com a participação de Zélia Duncan. Entre as faixas autorais, destaque para Atrás da Cortina da Pantera, canção que encerra o álbum com um arranjo forte.
“É uma música sensual. Mergulha muito no lado feminino. Fala da relação de uma mulher com uma mulher. Saiu essa beleza”, diz Julia sobre a canção. Completam o disco as canções Bomba (Nicolas de Francesco e Alisson Sant), Riscando Chão (Duda Brack), Sinceramente (Khrystal e Moyseis Marques, com participação de Roberta Sá), Pavio (Julia Vargas e Duda Brack), Flor Lilás (Lhuli) e Vem (Julia Vargas).
A cantora considera o novo álbum um divisor de águas na carreira. “Foi um processo longo, árduo, mas também de muita beleza, profundidade, potência”, destaca. “Sinto-me completamente despida, como se estivesse mostrando a minha alma nesse disco. Lançar agora foi perfeito, as coisas têm um tempo certo de acontecer, assim como o desaguar
de um rio no mar”, completa.
Participam do álbum os músicos João Bittencourt (teclado e acordeom), Gabriel Barbosa (bateria), Marcos Luz (baixo) e Gui Marques (sintetizadores), que também divide a produção musical com Julia Vargas. A cantora e compositora merece muito ser ouvida.
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