Política
Presidente do Incra pede desculpas pelo Massacre de Carajás, que completa 30 anos
César Aldrighi participou de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara
O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, César Aldrighi, pediu desculpas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e à sociedade brasileira pelo massacre que vitimou 21 trabalhadores rurais em Eldorado do Carajás, no sul do Pará. A chacina completa 30 anos nesta semana.
As declarações foram proferidas nesta quarta-feira 15, durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. “Temos poucos motivos a comemorar e muitos a pedir desculpas à sociedade brasileira. Eu falo de um lugar que é o espaço do Estado brasileiro, que é o Incra, e esse pedaço do Estado brasileiro tem sua missão de reparar a morte daqueles que lutaram e tombaram em Eldorado dos Carajás.”
Aldrighi também se desculpou pelas omissões do Incra nos últimos anos “para que as pessoas tivessem acesso à terra”.
Nos últimos oito anos, de acordo com o presidente da autarquia, houve retração na política agrária, com a interrupção de mais de 50 processos de desapropriação já prontos para assentamento e a não destinação de mais de 200 áreas públicas na Amazônia Legal. “Essas terras, ao invés de ficarem a serviço das famílias que lutam pela terra, foram entregues a quem menos tinha direito.”
Por outro lado, o chefe do Incra atribuiu os avanços históricos da reforma agrária à pressão social exercida por movimentos como o MST. “Eu me pergunto o que seria da reforma agrária no Brasil se não tivesse o MST, se não tivesse os movimentos sociais, o que seria da reforma agrária se não tivesse a coragem dos agricultores que foram para a estrada e que foram chacinados.”
O encontro na comissão foi sugerido pelos deputados federais Padre João (MG), João Daniel (SE), Valmir Assunção (BA) e Marcon (RS), todos do PT. Para relembrar o massacre de Eldorado do Carajás, o MST realiza uma série de ações neste mês a fim de pressionar o governo Lula a dar andamento à reforma agrária.
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