Política

Entre o Ceará e a presidência, Ciro Gomes vira problema para o PL

O partido, que rachou ante à sinalização de apoio ao ex-ministro na corrida estadual, vê agora o ressurgimento de um velho adversário na eleição presidencial

Entre o Ceará e a presidência, Ciro Gomes vira problema para o PL
Entre o Ceará e a presidência, Ciro Gomes vira problema para o PL
O deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB). Foto: Alex Loyola/PSDB na Câmara
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Eleições 2026

A sinalização do presidente nacional do PSDB, o deputado Aécio Neves (MG), de que o partido deseja lançar Ciro Gomes à Presidência da República em 2026 soou como um ultraje a uma ala do PL. A sigla vinha, desde o ano passado, discutindo e rediscutindo o apoio ao ex-ministro na eleição pelo governo do estado do Ceará, mas agora vê o possível ressurgimento de um velho adversário na eleição presidencial.

No final da tarde de terça-feira 14, Aécio disse a jornalistas que convidou Ciro para concorrer à presidência pela quinta vez. O ex-ministro disse que avaliará o chamado. “Estou construindo, até o momento, uma alternativa ao governo do Estado [do Ceará]. No entanto, um apelo, uma lembrança ou convocação como essa que me foi feita agora não pode ser considerada apenas um agrado ao meu sofrido coração”, disse Ciro.

O arranjo embaralha a estratégia do PL, que já havia selado o apoio ao ex-ministro na eleição cearense. Há pouco menos de 15 dias, o partido de Valdemar Costa Neto e Flávio Bolsonaro fechou questão para entrar na campanha do tucano no Nordeste.

Todo o processo de consolidação do apoio a Ciro Gomes no Ceará foi envolto por disputas de influência no PL, com Michelle Bolsonaro pendendo para uma condenação da aliança. “Ciro Gomes não é e nunca será de direita. Sempre será um perseguidor e um maledicente contra Bolsonaro”, disse Michelle em outubro de 2025.

Agora, a ex-primeira-dama sai com o sentimento que mistura satisfação pessoal por estar “certa” quanto à teimosia do PL, que gerou uma “traição” previsível. 

A avaliação no Partido Liberal é que Ciro tem potencial para retirar votos de Lula (PT), mas também de Flávio Bolsonaro, o que ameaça um possível segundo turno entre os dois e embaralha a estratégia da direita para outubro. O movimento também é visto como parte de uma tentativa do PSDB de reposicionar Ciro como alternativa à polarização nacional, ampliando o alcance de uma candidatura que poderia atrair eleitores insatisfeitos em ambos os campos.

A sinalização de pré-candidatura ao Planalto também atrapalha os planos de Flávio Bolsonaro, que vinha tentando montar um palanque competitivo no Ceará para a disputa pela presidência. 

Na terça, na Câmara dos Deputados, Ciro disse que a aliança com o PL estava “suspensa”, e que falar sobre isso daria “problema”. Nos bastidores, a leitura é que o episódio amplia a tensão dentro do partido e reposiciona o ex-ministro como um fator de incerteza no tabuleiro eleitoral de 2026.

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