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EUA e Irã deixam as negociações no Paquistão sem acordo
Os dois países se reuniram cara a cara no Paquistão, pela primeira vez desde a Revolução Islâmica. Estreito de Ormuz e armas nucleares travam solidificação de cessar-fogo
Os Estados Unidos e o Irã encerraram neste domingo 12 as negociações de paz em Islamabad sem chegar a um acordo. As duas delegações já deixaram o Paquistão, mediador das conversas.
Segundo os EUA, as tratativas paralisaram devido à recusa do Irã em se comprometer a abandonar seu programa de armas nucleares, colocando em dúvida um frágil cessar-fogo de duas semanas.
“Precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão uma arma nuclear e não buscarão os instrumentos que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear”, disse o vice-presidente J.D. Vance, que liderou a delegação dos EUA, após 21 horas de negociações.
Ele afirmou ainda ter apresentado a sua “oferta final e melhor” ao Irã na reunião de mais alto nível entre os dois lados desde a Revolução Islâmica de 1979. Sinalizou, também, que ainda estava dando tempo para que o Irã considerasse a proposição americana.
Por sua vez, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que as negociações colapsaram devido a uma “diferença entre nossas opiniões sobre duas ou três questões importantes”.
Ele disse à televisão estatal que o Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica para circulação de petróleo, esteve entre os temas discutidos e culpou o que chamou de “extrapolação dos EUA”. Não mencionou armas nucleares, embora a emissora tenha citado anteriormente este como um dos principais pontos de impasse.
Nenhum dos lados indicou o que acontecerá após o término do cessar-fogo, anunciado na última terça-feira. Mediadores paquistaneses instaram ambas as partes a não quebrar a trégua.
O Paquistão afirmou ainda que tentará facilitar um novo diálogo nos próximos dias. A mídia estatal iraniana reportou que há abertura na República Islâmica para continuar as conversas.
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