Política
PSDB ainda não desistiu de São Paulo e quer eleger até 35 deputados em outubro
Os planos de Aécio Neves ainda incluem candidatura própria ao Senado, ao lado de Rodrigo Pacheco, mas sem apoiar Lula
O PSDB articula uma estratégia nacional para recuperar espaço nas eleições de 2026, com foco em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Encolhido após sucessivas derrotas e perda de quadros, o ninho tucano aposta em candidaturas próprias e no fortalecimento das bancadas.
Em São Paulo, onde foi imbatível por 28 anos, o presidente nacional da sigla, Aécio Neves, defende que o partido lance um nome ao governo estadual. A aposta é o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra, que pode representar uma “alternativa” entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). A ideia é reposicionar o PSDB como uma “terceira via” no maior colégio eleitoral do País.
Nos bastidores, no entanto, há dúvidas sobre a viabilidade dessa candidatura. Aliados de Tarcísio trabalham com a expectativa de que o PSDB, mais cedo ou mais tarde, acabe apoiando a candidatura do atual governador, ainda que informalmente. Neste desenho, Serra disputaria uma vaga no Congresso. O PSDB, porém, sustenta o discurso de candidatura própria como forma de impulsionar chapas proporcionais.
Há também dúvidas dentro do próprio partido sobre o fôlego de Serra para uma disputa majoritária, o que alimenta a hipótese de uma candidatura à Câmara dos Deputados como alternativa mais pragmática. Seja qual for o desfecho, a defesa pública de candidatura própria cumpre uma função estratégica: turbinar as chapas proporcionais e ampliar a representação no Congresso.
O PSDB tem como meta eleger entre 30 a 35 deputados federais em todo o Brasil e uma base mais robusta em São Paulo e no Rio. O cálculo interno é que saiu fortalecido da última janela partidária na Câmara – saldo positivo de três deputados, entre 7 baixas e 10 aquisições.
Aécio com Lula?
Em Minas Gerais, Aécio Neves trabalha em outra frente. O deputado considera disputar uma vaga no Senado em uma chapa liderada por Rodrigo Pacheco (PSB), que deve concorrer ao governo estadual com apoio do presidente Lula (PT). A composição incluiria ainda um nome do PT para a outra vaga ao Senado.
Mesmo com a possível aliança local, Aécio sinaliza que não pretende, necessariamente, apoiar Lula na corrida presidencial. A aposta, segundo interlocutores, é na fragmentação do cenário nacional e no surgimento de uma candidatura de centro.
As conversas entre Aécio e Pacheco continuam, mas a definição depende do avanço das articulações em Minas e da cristalização do ambiente eleitoral no estado.
“Reconstrução” no Nordeste
No Nordeste, região onde o PSDB perdeu espaço de forma mais acelerada, o partido tenta ensaiar um movimento de recuperação. No Ceará, a aposta é na reorganização partidária com o reforço de sua bancada estadual e na possível liderança do ex-ministro Ciro Gomes como peça central desse processo.
Caciques do partido avaliam que, embora Ciro já tenha uma pré-candidatura ao governo do estado, seu papel pode ir além da disputa local, contribuindo para o fortalecimento da sigla na região.
Após a janela partidária, o PSDB ampliou de forma significativa sua presença na Assembleia Legislativa cearense, passando de uma para sete cadeiras, movimento visto internamente como sinal de “reconstrução”.
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