Economia

Petróleo e gás desabam e bolsas fecham em alta após cessar-fogo no Irã

A trégua dissipou temporariamente os riscos de uma reação em cadeia com aumento de juros e desaceleração do crescimento

Petróleo e gás desabam e bolsas fecham em alta após cessar-fogo no Irã
Petróleo e gás desabam e bolsas fecham em alta após cessar-fogo no Irã
Consumidores abastecem os veículos em posto de Nova York – foto: Michael M. Santiago/Getty Images via AFP
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Os preços do petróleo e do gás registraram forte baixa, as bolsas subiram e o dólar caiu nesta quarta-feira 8, após o anúncio de um acordo de cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz.

Depois do início da guerra, o Irã bloqueou o estreito e o barril de tipo Brent, a referência internacional do mercado, que oscilava em torno de 72 dólares no fim de fevereiro, chegou a quase 120 dólares em março.

Em Londres, a cotação do barril de tipo Brent com entrega para junho caiu 13,29% nesta quarta-feira, a 94,75 dólares. Seu equivalente no mercado americano, o barril de tipo West Texas Intermediate (WTI), cujos contratos vencem em maio, caiu 16,41%, a 94,41 dólares.

Os preços do gás também caíram drasticamente. O contrato de futuros holandês TTF, considerado a referência europeia, recuou 14,92%, para 45,30 euros (269,39 reais).

O anúncio de um cessar-fogo dissipou temporariamente os riscos de uma reação em cadeia com aumento de juros e desaceleração do crescimento. O alívio beneficiou as bolsas, que operaram em forte alta.

Em Wall Street, o índice Dow Jones Industrial avançou 2,85%, enquanto o tecnológico Nasdaq subiu 2,80% e o ampliado S&P 500, 2,51%.

Na Europa, as principais bolsas fecharam com avanços superiores a 3%. Frankfurt liderou os ganhos ao subir 5%, enquanto Londres avançou menos, 2,5%, afetada pelas perdas das companhias petrolíferas.

Mais cedo, na Ásia, as ações negociadas em Tóquio dispararam 5,4% e os índices chineses subiram em torno de 3%.

O dólar — considerado um ativo de segurança nos momentos de turbulência nos mercados — perdeu valor perante o euro, o iene e a libra esterlina, na medida em que os investidores retornavam para os ativos de maior risco.

Onda de alívio

“Uma onda de alívio chegou aos mercados financeiros, depois que as ameaças de uma escalada devastadora da guerra deram lugar a uma trégua temporária”, afirmou Susannah Streeter, chefe de estratégia de investimentos do Wealth Club.

A mediação do Paquistão abriu caminho para um acordo que suspende as hostilidades e permitiu, nesta quarta-feira, a passagem de dois navios-petroleiros pelo Estreito de Ormuz, por onde costumavam transitar 20% das exportações mundiais de petróleo antes da guerra.

Apesar do acordo, o Paquistão afirmou que há denúncias de violações do cessar-fogo e o Exército israelense continuou bombardeando o Líbano, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diz não estar amparado pela trégua.

John Plassard, da Cite Gestion, explicou que os mercados não veem a paz como certa, mas consideram que o acordo abre “uma oportunidade de negociação”.

“Esse é precisamente o problema: em duas semanas, ou esta oportunidade levará a um acordo duradouro, ou só adiará e agravará a crise energética que todos temem”, acrescentou.

Segundo Jorge Leon, analista da Rystad Energy, mesmo com um cessar-fogo permanente, os preços não ficariam abaixo de 80 dólares no futuro próximo, pois há “importantes atrasos logísticos no Estreito” de Ormuz e “danos generalizados à infraestrutura energética da região”.

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