Do Micro Ao Macro
O que pesa mais que o salário na hora de trocar de emprego
Pesquisas da Catho e da Robert Half revelam o que profissionais realmente buscam ao avaliar uma proposta ou decidir deixar o emprego atual
O salário ainda importa, mas já não decide sozinho. Para quase 60% dos trabalhadores brasileiros, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é o fator que mais pesa na hora de aceitar ou rejeitar uma proposta de emprego, segundo a Pesquisa de Tendências 2026 da Catho. E os benefícios no trabalho entram nessa equação com força cada vez maior.
A insatisfação com o que as empresas oferecem é alta. Segundo a Pesquisa de Benefícios 2025 da Robert Half, 43% dos profissionais consideram o pacote atual inadequado às suas necessidades. O mesmo levantamento aponta que seis em cada dez brasileiros pretendem buscar uma nova colocação ao longo deste ano.
Além do vale alimentação
O perfil do que os trabalhadores esperam mudou. Modelos de trabalho flexíveis, participação nos lucros, bônus para viagens, antecipação salarial, cartões multibenefícios e plataformas com programas de desconto e cashback passaram a compor a lista de expectativas de quem avalia uma proposta ou pondera sobre uma saída.
Para Antonio de Faria, vice-presidente da Vólus, empresa de meios de pagamento com atuação em cartões de benefícios, gestão de frotas e despesas corporativas, o movimento reflete uma mudança de patamar no mercado. “Os benefícios deixaram de ser um complemento e passaram a ser um dos principais critérios na decisão de permanecer ou trocar de emprego”, afirma.
Segundo ele, quando a empresa oferece soluções diferenciadas, o resultado vai além da satisfação imediata. “Ela deixa de entregar um pacote padronizado e passa a oferecer valor real. É isso que impacta engajamento, retenção e a atração de novos talentos”, diz o executivo.
Bem-estar entra na conta
Outro movimento que ganha espaço nos pacotes de benefícios no trabalho é o cuidado com a saúde física e emocional. Descontos em academias, acesso a psicólogos, plataformas de meditação e programas de mindfulness deixaram de ser diferenciais para se tornar expectativas de parte dos profissionais.
O problema é que a oferta ainda não acompanha a demanda. De acordo com o relatório BetterWork, conduzido pela Betterfly, apenas 30% das empresas disponibilizam esse tipo de solução hoje.
Gestão e retorno para as empresas
Do ponto de vista das organizações, investir em benefícios no trabalho mais abrangentes também representa ganho operacional. De Faria aponta que pacotes mais estruturados permitem maior controle sobre a distribuição de recursos e reduzem custos com dispersão e retrabalho administrativo.
“É uma evolução que aproxima o benefício da gestão de pessoas”, resume o vice-presidente da Vólus, reforçando que o movimento vai além de uma tendência de mercado e aponta para uma reconfiguração do que trabalhadores e empresas entendem como parte de uma relação de trabalho.
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