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Bombardeios israelenses no Líbano provocam pânico e mais de 100 mortes
O Hezbollah disse estar ‘no direito de responder’, assim como a Guarda Revolucionária do Irã
O Líbano acusou Israel, nesta quarta-feira 8, de ter deixado ao menos 112 mortos e mais de 800 feridos com seus bombardeios mais intensos desde o início da guerra contra o grupo pró-iraniano Hezbollah, que desencadearam pânico na capital.
Os ataques ocorreram apesar de um acordo de cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que essa trégua exclui o Líbano, confirmando declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
O grupo armado Hezbollah, que arrastou o Líbano para a guerra do Oriente Médio ao atacar Israel em 2 de março e há horas não reivindica ataques, disse estar “no direito de responder” aos bombardeios, assim como a Guarda Revolucionária do Irã, o exército ideológico da república islâmica.
Alerta do Irã
“Enviamos uma forte advertência aos Estados Unidos, que violam tratados, e ao seu aliado sionista, seu executor: se a agressão contra o querido Líbano não cessar imediatamente, cumpriremos o nosso dever e daremos uma resposta”, declarou a Guarda Revolucionária, citada pela televisão pública em um comunicado se referindo a Israel.
Vários jornalistas da AFP testemunharam cenas de pânico nas ruas de Beirute antes de o governo pedir à população que liberasse as estradas da cidade para as ambulâncias. O Ministério da Saúde libanês lamenta ao menos 112 mortos e 837 feridos nos ataques.
Segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, o Exército realizou um ataque surpresa contra centenas de integrantes do Hezbollah em todo o Líbano. Foi, disse, o maior golpe contra o grupo desde uma operação em 2024 com pagers.
“Crianças mortas”
“Vi a explosão, foi muito forte, e havia crianças mortas, algumas com as mãos decepadas”, declarou à AFP Yaser Abdala, que trabalha em um comércio no centro de Beirute.
Em frente ao hospital da Universidade Americana de Beirute, uma jornalista da AFP observou um vai e vem de ambulâncias. Familiares dos feridos estavam reunidos diante da entrada de emergência. Alguns choravam.
“Minha sogra morreu, a esposa do meu cunhado também, assim como o filho deles”, diz um homem que não quis se identificar. Todos moravam no mesmo prédio. “Estamos aguardando para saber se os filhos do meu cunhado estão vivos”, acrescenta.
Um dos ataques atingiu Corniche al-Mazraa, uma das principais vias da capital. Um fotógrafo da AFP viu destruição generalizada, prédios em chamas e carros destruídos.
Israel voltou a pedir à população que evacue várias zonas do Líbano porque a batalha “continua”. Também pediu a desocupação de um prédio na cidade costeira de Tiro, depois de atacar outro nas proximidades. A Agência Nacional de Notícias (NNA) informou sobre vários ataques no sul.
Os bombardeios israelenses das últimas semanas mataram mais de 1.500 pessoas e deslocaram mais de um milhão, segundo as autoridades libanesas, especialmente no sul, no leste do país e nos subúrbios ao sul de Beirute, áreas de influência do Hezbollah.
Nesta quarta-feira, um correspondente da AFP viu um pequeno número de pessoas dirigindo-se para o sul do país, algumas em carros e outras com seus filhos em motocicletas.
O Exército libanês desaconselha o retorno dos deslocados, e o Hezbollah também, até que “seja emitida a declaração oficial e final de cessar-fogo no Líbano”.
Em uma tenda perto dos subúrbios do sul de Beirute, Ali Yusef, um entregador de 50 anos, disse esperar o “comunicado oficial” do Hezbollah. “O Irã não vai nos decepcionar” se Israel continuar atacando o Líbano, opina.
Em um comunicado, o presidente libanês, Joseph Aoun, saudou a trégua de duas semanas entre Teerã e Washington, mas quer que “a paz regional inclua o Líbano”.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador na guerra, assegura que o cessar-fogo se aplica “em toda parte, inclusive no Líbano”.
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