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Dezenas de pacientes relatam problemas nos olhos após procedimento em hospital da Bahia; entenda o caso

O caso aconteceu CEOM Day Hospital, unidade particular localizada em Irecê; episódio é investigado pela Polícia Civil

Dezenas de pacientes relatam problemas nos olhos após procedimento em hospital da Bahia; entenda o caso
Dezenas de pacientes relatam problemas nos olhos após procedimento em hospital da Bahia; entenda o caso
O caso aconteceu no CEOM Day Hospital, em Irecê, na Bahia. Créditos: Reprodução
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Pelo menos 24 pacientes relataram problemas nos olhos após passarem por um procedimento oftalmológico em um hospital particular de Irecê, cidade do interior da Bahia, nas últimas semanas.

Entre os sintomas relatados estão ardência e hiperemia ocular (vermelhidão) após serem submetidas à terapia antiangiogênica no CEOM Day Hospital. O tratamento utiliza da aplicação de medicamentos intraoculares para tratar doenças da retina.

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) afirma que 26 pacientes apresentaram os sintomas, incluindo 23 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a direção do hospital, são 24 casos no total. Há ao menos uma morte suspeita.

Em nota, a Sesab afirmou que, diante o problema, suspendeu imediatamente o encaminhamento de pacientes à unidade, que é credenciada a prestar serviços especializados em oftalmologia no âmbito do SUS. 

Os procedimentos, realizados nos dias 28 de fevereiro e 1º de março, contemplaram um total de 143 pacientes. A intervenção envolveu a aplicação do medicamento bevacizumabe, conhecido pelo nome comercial Avastin, agente oncológico produzido pelo laboratório Roche.

O governo da Bahia afirmou que a execução dos procedimentos é de responsabilidade exclusiva do hospital, não tendo a Secretaria da Saúde promovido qualquer mutirão de saúde no município de Irecê no período em questão. Ainda de acordo com a pasta, nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, foram encaminhados pela regulação estadual apenas 81 pacientes para consulta na unidade.

A gestão estadual completou que, diante o cenário, também determinou uma inspeção sanitária no local, não tendo identificado não conformidades relativas ao armazenamento do medicamento Avastin. Confirmou, contudo, que a vigilância sanitária estadual aguarda o resultado das análises laboratoriais dos produtos coletados durante a inspeção.

A pasta informou que instaurou diligências via a Diretoria de Controle das Ações e Serviços de Saúde, que inclui o acompanhamento da evolução dos quadros clínicos e a análise de prontuários. O caso também é investigado pela Polícia Civil.

Em nota, o hospital reconheceu as intercorrências em 24 pacientes que passaram pelo procedimento oftalmológico. Afirmou que, no período, outros 643 procedimentos ambulatoriais e cirúrgicos foram realizados na unidade, todos obedecendo critérios médicos vigentes.

A unidade acrescentou que todos os pacientes permanecem em acompanhamento ativo, tendo parte significativa já apresentado evolução clínica favorável. O hospital disse, ainda, que apurações sobre o caso são feitas via a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar e em parceria com os órgãos de vigilância em saúde.

Em nota, o laboratório Roche Farma Brasil, responsável pela produção do medicamento, afirmou não terem sido detectados até o momento “desvios de qualidade no processo de fabricação do produto que possam estar relacionados a este caso”.

“A Roche ressalta que a manutenção da segurança de medicamentos biológicos depende também do rigoroso cumprimento de protocolos de armazenamento e manuseio nas instituições de saúde. Conforme bula, o medicamento deve ser mantido em refrigerador, em temperatura de 2 a 8 ºC, protegido da luz até o momento da utilização. Depois de aberto, deve-se garantir a esterilidade da solução preparada.”

O laboratório afirmou acompanhar o caso “de forma diligente e cooperando integralmente com a avaliação em andamento”.

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