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Iranianos fazem correntes humanas em volta de centrais elétricas

Embora a guerra tenha acabado com um escalão da liderança do Irã, a ofensiva contra instalações energéticas representaria uma escalada

Iranianos fazem correntes humanas em volta de centrais elétricas
Iranianos fazem correntes humanas em volta de centrais elétricas
Fumaça após ataque contra Teerã, capital do Irã, em 7 de abril de 2026. Foto: Atta Kenare/AFP
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Grupos de iranianos formaram correntes humanas para proteger as centrais elétricas do país nesta terça-feira 7, depois das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de atacar a infraestrutura energética do país, enquanto altos funcionários disseram que também estavam dispostos a sacrificar suas vidas.

Após uma campanha online e mediante mensagens de texto promovendo a inscrição nas correntes humanas em todo o país, as autoridades afirmaram que mais de 14 milhões de pessoas aderiram à iniciativa.

Não foi possível verificar de imediato este número, nem quantas pessoas estavam participando das correntes humanas, embora as primeiras imagens mostrassem dezenas de pessoas em cada local.

A agência de notícias estatal Irna mostrou pessoas formando uma corrente humana “em apoio às centrais elétricas” na cidade de Bushehr (sul), onde fica uma usina nuclear.

A TV estatal e a agência de notícias Mehr mostraram dezenas de pessoas em frente à principal central elétrica da cidade de Tabriz (norte), assim como em uma usina da cidade de Mashhad.

Com os ataques dos Estados Unidos e de Israel também alvejando pontes, uma multidão se concentrou na principal estrutura sobre o rio na cidade de Ahvaz, acrescentou a Mehr.

Embora a guerra, que se estende por mais de cinco semanas, tenha acabado com todo um escalão da liderança iraniana, os ataques contra instalações energéticas representariam uma escalada importante.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, considerado por alguns o número um de fato do país após o assassinato do líder supremo, Ali Khamenei, no início da guerra, publicou uma captura de tela do que supostamente era o sistema de registro para as correntes humanas.

Ao afirmar ter acrescentado seu nome à lista, declarou: “Mohammad Bagher Ghalibaf está disposto a sacrificar sua vida pelo Irã”.

Enquanto isso, a hashtag com a palavra “janfada” — autossacrifício em persa — se tornou “trending topic” nas redes sociais.

“Mais de 14 milhões de iranianos orgulhosos se registraram até agora para sacrificar suas vidas para defender o Irã. Eu também estive, estou e continuarei estando disposto a dar a minha vida pelo Irã”, escreveu no X o presidente Masoud Pezehskian.

Trump advertiu que “toda uma civilização morrerá” no Irã se o país não acatar seu ultimato para reabrir o Estreito de Ormuz.

O presidente americano deu ao Irã prazo até a meia-noite GMT desta terça-feira (20h em Washington, 21h em Brasília) para pôr fim ao bloqueio de fato nesta crucial via marítima para o transporte de petróleo e outras matérias-primas.

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