Economia
FGTS para refinanciamento e limite para bets: Lula estuda plano contra o endividamento de famílias
As dívidas dos brasileiros viraram uma preocupação para o presidente a menos de seis meses da eleição
O governo Lula (PT) estuda autorizar o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o FGTS, para o refinanciamento de dívidas dos brasileiros. A confirmação partiu do ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta terça-feira 7.
O sucessor de Fernando Haddad (PT) afirmou discutir o assunto com o ministro do Trabalho e do Emprego, Luiz Marinho (PT). Segundo o chefe da equipe econômica, é necessário analisar se seria razoável permitir que os cidadãos utilizem recursos do fundo para refinanciar “algumas dívidas”.
Antes de chegar a uma decisão sobre o tema, ponderou Durigan, é preciso avaliar o impacto que a medida teria no FGTS. O debate está em andamento.
O endividamento das famílias é uma das preocupações do presidente Lula a menos de seis meses da eleição. A iniciativa relacionada ao FGTS seria parte de um pacote voltado a enfrentar esse problema.
Dario Durigan se reuniu em Brasília com a bancada do PT na Câmara dos Deputados, ocasião em que discutiu ações para conter o aumento nos preços de combustíveis — em meio à guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã — e para lidar com o endividamento da população.
O ministro afirmou ter apresentado também a Lula nesta terça uma “primeira perspectiva” do conjunto de medidas sobre as dívidas, com diferentes linhas para famílias, trabalhadores informais, MEIs e pequenas empresas.
Uma das contrapartidas em estudo seria limitar o endividamento futuro dessas pessoas, por exemplo, com as apostas virtuais, as chamadas bets. “Para que a gente não desafogue as pessoas e no ato seguinte elas voltem a se endividar”, enfatizou.
Ou seja: a prosperar essa ideia, haveria um teto para dívidas com bets como compensação para contrair empréstimos nas linhas que o governo anunciará.
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