Economia

Galípolo volta a defender ‘cautela’ sobre juros, com a Selic a 14,75%

O presidente do Banco Central afirmou que a mudança de comportamento social reforça o combate à inflação em meio a incertezas globais

Galípolo volta a defender ‘cautela’ sobre juros, com a Selic a 14,75%
Galípolo volta a defender ‘cautela’ sobre juros, com a Selic a 14,75%
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Foto: Raphael Ribeiro/Divulgação/BCB
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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira 6 que o Brasil vive uma mudança relevante na forma como a sociedade lida com a inflação. Segundo ele, o País deixou para trás a tolerância a índices elevados e passou a adotar uma vigilância mais ativa. Também reforçou sua defesa de cautela na condução da política monetária.

“As pesquisas e todos os tipos de informação que a gente tem mostram que esta é uma sociedade que não tolera mais inflação”, disse na abertura de um seminário realizado pela Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro.

Ao comparar o cenário atual a momentos passados, Galípolo destacou que o País já conviveu com taxas próximas a 8% ao ano, cenário que hoje enfrentaria maior resistência social.

Para o presidente do BC, essa mudança é positiva para a política monetária. “Não tem nada melhor para um banqueiro central do que essa incorporação de uma vigilância contra a inflação dentro da sociedade.

Galípolo também abordou a diferença entre os indicadores oficiais e a percepção da população. Segundo ele, mesmo em cenários de inflação mais baixa, o nível de preços afeta a sensação de custo de vida.

“Você pode ter uma inflação baixa, mas conviver com as duas coisas simultaneamente: uma inflação baixa com um nível de preço relativo”, acrescentou, ao destacar que a renda das pessoas não acompanhou o ritmo das altas observadas em períodos recentes. 

Guerra no Irã

O cenário internacional, especialmente a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, foi apontado como um fator de pressão inflacionária. A alta do petróleo impacta preços globalmente e já se reflete em indicadores no Brasil, como o aumento do diesel e a revisão das expectativas de inflação.

Diante desse ambiente de incerteza, Galípolo defendeu uma postura cautelosa na condução dos juros. “A ideia de cautela para o Banco Central é tomar tempo para conhecer melhor o problema para dar passos mais seguros da política monetária.”

Ele ressaltou que decisões mais conservadoras adotadas anteriormente têm ajudado o País a enfrentar o atual choque com maior estabilidade.

O controle da inflação é a principal missão do Banco Central, que utiliza a taxa básica de juros, a Selic, como instrumento central. Atualmente em 14,75% ao ano, o índice será novamente avaliado pelo Comitê de Política Monetária em 29 de abril.

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