Política
Entenda a troca de farpas entre Eduardo, Nikolas, Michelle e Flávio Bolsonaro
Troca de acusações via redes sociais indica divergências sobre estratégia, lealdade e liderança às vésperas do início de campanha
Nos últimos dias, as redes sociais foram palco de uma nova desavença pública entre figuras centrais da extrema-direita brasileira. O episódio mais recente envolve o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto.
A confusão teve início a partir de críticas de Eduardo, na quinta-feira 2, a perfis alinhados à direita que não estariam demonstrando apoio à candidatura de Flávio. A reação veio quando Nikolas compartilhou conteúdo de um desses perfis, o que foi interpretado por Eduardo como um gesto de desalinhamento.
O conflito escalou após Eduardo sugerir que o deputado mineiro impulsiona conteúdos que não favorecem o irmão. Em resposta indireta a críticas de apoiadores, Nikolas reagiu com um “kkk”, o que irritou ainda mais o ex-deputado. Eduardo classificou a reação como um “risinho de deboche” e publicou um longo desabafo, no qual acusou o congressista de desrespeito e oportunismo:
Na mesma publicação, ele afirmou que Nikolas estaria agindo por interesses próprios e não colaborando com a consolidação da candidatura de Flávio: “Você continua colocando Flávio numa espiral do silêncio, com menos de meia dúzia de apoios públicos.”
Michelle, por sua vez, entrou no cenário atual de forma indireta. Após as críticas de Eduardo, ela publicou conteúdos envolvendo Nikolas nas redes sociais, gesto interpretado como sinal de apoio ao deputado. A ex-primeira-dama também interagiu com publicações pessoais do congressista, o que gerou reações de seguidores e reforçou a percepção de divisão interna.
Diante da escalada da crise, Flávio Bolsonaro tentou conter o desgaste público. Em vídeo, o senador pediu união e evitou tomar partido direto na disputa. “Pessoal, a partir de agora, todos nós temos que focar em um só objetivo. Bora olhar para a frente”, disse.
O momento é de pacificação e união. Vamos olhar para frente. O que mais importa, agora, é o futuro do nosso Brasil! pic.twitter.com/gZyUEUNuLE
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) April 4, 2026
Nikolas respondeu à mensagem com tom conciliador: “Concordo, presidente. Cada um fazendo sua parte, chegaremos.”
O episódio não é isolado. Desentendimentos anteriores já haviam ocorrido. Em julho de 2025, Eduardo afirmou ser “triste ver a que ponto o Nikolas chegou” após o deputado mineiro interagir com uma influenciadora crítica ao bolsonarismo. Na mesma ocasião, reforçou críticas ao aliado por considerá-lo “pouco ativo” em pautas defendidas pelo grupo, como a reação ao tarifaço anunciado pelos Estados Unidos.
Meses depois, em fevereiro de 2026, o embate voltou a público. Eduardo acusou Nikolas e Michelle Bolsonaro de estarem com “amnésia” por não se engajarem na pré-campanha de Flávio e sugeriu falta de lealdade política. Nikolas reagiu, dizendo que o ex-deputado “não está bem” e que não perderia tempo com ataques, além de criticar a prioridade dada às disputas internas em meio ao cenário político nacional.
Além de Nikolas e Michelle, Eduardo também ampliou suas críticas a outros nomes da direita, como os governadores Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Ratinho Jr.. Ele contestou a postura desses líderes diante de temas internacionais e defendeu que aliados priorizassem pautas como a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em vez de negociações econômicas.
A sequência de episódios indica que o atrito vai além de um desentendimento pontual e reflete disputas recorrentes por protagonismo, estratégia digital e alinhamento dentro do bolsonarismo, especialmente no contexto da definição de lideranças e da corrida presidencial.
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