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Energia solar dispara globalmente sob liderança da China

Impulsionado por preços baixos, ritmo de expansão supera qualquer outra fonte energética e excede expectativas. Crescimento ocorre também no Brasil e até nos EUA, apesar do favorecimento de Trump por fontes fósseis

Energia solar dispara globalmente sob liderança da China
Energia solar dispara globalmente sob liderança da China
Trabalhadores em fábrica de painéis de energia solar Huaian, na China – foto: CN-STR/ AFP
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A energia solar vem se expandindo mais rápido do que o esperado no início do século, num ritmo superior a qualquer outra fonte energética. A sua adoção é um elemento central dos planos de transição energética global, a fim de proteger o planeta das mudanças climáticas.

Antes, esta era considerada uma alternativa cara, usada somente em regiões remotas, viagens espaciais ou calculadoras de bolso. Mas hoje módulos solares fáceis de instalar e operar permitem gerar eletricidade barata ao redor do mundo.

A capacidade global de energia solar disparou na última década, passando de 228 gigawatts (GW) em 2015 para 2,9 mil GW em 2025 — o correspondente a 10% da matriz energética global, ultrapassando a energia nuclear (9%).

Se mantiver o ritmo atual, a capacidade global poderá atingir 9 mil GW até 2030, o suficiente para atender a mais de 20% da demanda energética global. Potências globais, entretanto, se mantêm dependentes dos combustíveis fósseis.

China lidera o caminho

A China tem, de longe, a maior capacidade solar do mundo. O país instalou 315 GW de novos painéis em 2025, de acordo com a autoridade energética chinesa, elevando a capacidade total para cerca de 1,3 mil GW.

A China produz a maioria dos paineis solares do mundo atualmente – foto: CN-STR/AFP

Mais de 80% de todos os painéis solares atualmente são produzidos na China. Dados da organização LowCarbonPower mostram que 11% da eletricidade do país agora vem da energia solar.

Ao longo da última década, a participação da energia a carvão – altamente poluente – caiu de 70% para 56%. Isso se deve, em grande parte, à forte expansão das energias renováveis no país, especialmente solar e eólica.

União Europeia amplia rede solar

A União Europeia (UE), com 406 GW de capacidade de geração, ocupa o segundo lugar mundial na expansão da energia solar.

No bloco, a energia solar cobre cerca de 13% da demanda elétrica, enquanto o carvão atende a 9% — uma queda significativa em relação a 2015, quando ainda gerava um quarto da eletricidade da UE.

Na liderança europeia estão Grécia, Chipre, Espanha e Hungria, cada uma gerando mais de 20% de sua eletricidade a partir da energia solar.

A Alemanha, com menos horas de sol, atinge 18%. Com 119 GW, o país é o líder europeu em capacidade solar instalada, seguida pela Espanha, com 56 GW.

EUA em terceiro lugar

Mesmo com as fontes renováveis dificultadas durante o governo de Donald Trump, os Estados Unidos ocupam o terceiro lugar mundial na expansão da energia solar.

Com 267 GW, os EUA conseguem suprir cerca de 8% de sua demanda elétrica total. Em 2015, esse valor era de 1%. Nos últimos dez anos, a participação do carvão caiu pela metade — de 34% em 2015 para 17% em 2025.

O presidente americano, entretanto, quer ressuscitar o carvão e proteger a indústria ligada aos combustiveis fósseis.

Além disso, os Estados Unidos são o maior produtor de petróleo e gás – em grande parte para exportação. Em 2023, estas duas fontes correspondiam, juntas, a quase três quartos da energia final consumida pelos americanos (excluindo o consumo do próprio setor energético e perdas de transformação), segundo a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

Crescimento na Índia, no Paquistão e no Brasil

A Índia, em quarto lugar com 136 GW, agora gera cerca de 8% de sua eletricidade para uma população de 1,45 bilhão de pessoas. O Japão aparece em quinto, com capacidade solar de 103 GW, cobrindo 11% de sua demanda elétrica.

O Brasil também está ampliando sua capacidade solar e agora consegue gerar cerca de 10% de seu fornecimento nacional de eletricidade. O país soma 22 GW de potência solar fiscalizada (ou seja, efetivamente instalada e em operação comercial verificada pela Agência Nacional de Energia Elétrica). Junto com hidrelétrica, eólica e biomassa, 88% da energia do Brasil vêm de fontes renováveis.

Em 2015, Paquistão e África do Sul produziam cada um menos de 1% de sua eletricidade a partir de painéis fotovoltaicos. Dez anos depois, o índice subiu para 20% e 10%, respectivamente.

Preços vantajosos

Em apenas uma hora, a luz do sol que atinge a Terra fornece mais energia do que a humanidade precisaria durante um ano inteiro. Instalando painéis solares em menos de 1% da superfície do mundo, seria possível cobrir toda a demanda global de energia.

Outra vantagem é o progressivo barateamento. Módulos mais eficientes e a produção em massa reduziram os preços em cerca de 90%, o que significa que a energia solar é a forma mais barata de eletricidade em muitas partes do mundo.

Em regiões muito ensolaradas, grandes parques solares podem produzir eletricidade pelo equivalente a 5 centavos de real por quilowatt-hora.

A eletricidade de painéis solares instalados em telhados costuma ser significativamente mais barata do que a eletricidade da rede convencional e, em muitos países europeus, agora custa menos da metade do preço médio de eletricidade.

Mais proeminência a caminho?

Em 2024, usinas com capacidade de 632 GW foram adicionadas à rede elétrica global. Do total, 72% eram energia solar, seguida pela eólica com 18%, gás com 4%, carvão com 3%, hidrelétrica com 2% e nuclear com 1%.

Diversas previsões subestimaram o crescimento da indústria solar. Em sua análise global anual de energia de 2020, a Agência Internacional de Energia estimou que a expansão solar mundial atingiria cerca de 120 GW em 2024. Mas 597 GW foram instalados naquele ano.

Especialistas agora acreditam que a energia solar eventualmente se tornará a fonte de energia mais importante do mundo. No entanto, ainda não se sabe quão rápida poderá ser a mudança.

Pesquisadores da Universidade de Tecnologia Lappeenranta-Lahti, na Finlândia, calcularam como poderia ser um suprimento de energia global economicamente eficiente. Com base em seu modelo, 76% da energia mundial viriam da solar. A energia eólica representaria outros 20%, com o restante vindo de hidrelétrica, biomassa e energia geotérmica.

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