Do Micro Ao Macro

Sete erros que transformam o sonho da franquia em um pesadelo

Com o setor ultrapassando 300 bilhões de reais em faturamento, cresce também o número de investidores que assinam contratos sem ler o que realmente importa

Sete erros que transformam o sonho da franquia em um pesadelo
Sete erros que transformam o sonho da franquia em um pesadelo
Início de ano é momento ideal para avaliar investimentos e se planejar para abrir um negócio próprio. Uma opção recomendada é optar por microfranquia franquia
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O setor de franquia brasileiro fechou 2025 com crescimento nominal de 10,5% e, pela primeira vez, ultrapassou os 300 bilhões de reais em faturamento, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) divulgados em março. O segmento emprega quase 1,8 milhão de pessoas diretamente. Por trás dos números, porém, há um problema recorrente: investidores que entram em uma franquia sem avaliar o que está escrito nos documentos que assinaram.

Ralph Fontes, advogado especialista em franchising, observa que a empolgação com a marca e com as projeções de faturamento leva muitos empreendedores a ignorar perguntas que deveriam vir antes de qualquer decisão. A franquia garante exclusividade territorial ou a própria marca pode vender no mesmo endereço pela internet? Há fornecedores obrigatórios? É possível vender a unidade no futuro sem restrições?

“O investidor entra guiado pela força da marca ou pelas projeções apresentadas, sem avaliar com profundidade os documentos e as regras que regulam a relação entre franqueador e franqueado”, afirma Fontes. A seguir, o especialista lista sete erros que convertem o sonho da franquia em problema.

Não ler a COF com antecedência real

A Circular de Oferta de Franquia reúne informações sobre a rede, regras da operação, obrigações financeiras e histórico da marca. A legislação exige sua entrega prévia, mas muitos investidores a recebem e não a leem com cuidado, ou a analisam sem auxílio de um profissional. Ignorar esse documento é abrir mão da principal fonte de informação disponível antes de assinar qualquer coisa.

Confundir exclusividade física com exclusividade de mercado

Confirmar que nenhuma outra unidade física operará na mesma região já não é suficiente. Fontes alerta que é preciso verificar se a franqueadora pode atuar no mesmo território por e-commerce, aplicativos, marketplaces ou inside sales, canais que podem reduzir diretamente o faturamento da unidade local.

Subestimar o impacto dos fornecedores obrigatórios

Redes de franquia costumam exigir a compra de produtos ou insumos de fornecedores homologados. O problema aparece quando há cotas mínimas de compra, limitação de negociação e regras que encarecem a operação sem que o franqueado perceba o impacto sobre margem e capital de giro antes de abrir as portas.

Analisar só a entrada, não a saída

“Muitos empreendedores avaliam apenas as condições de entrada na franquia”, diz Fontes. Saber se a unidade pode ser vendida, em quais condições, se a franqueadora tem direito de preferência e quais são as restrições para transferência ou mudança de controle são pontos que definem o quanto o negócio realmente pertence ao franqueado.

Ignorar cláusulas de não concorrência

Essas cláusulas entram em vigor especialmente quando o contrato termina. O franqueado precisa entender quais atividades podem ser consideradas concorrentes após o encerramento, por quanto tempo a restrição vale e qual o alcance do dever de sigilo sobre processos operacionais e a base comercial da franquia.

Acreditar que os passivos ficam sempre isolados na unidade

A Lei de Franquias determina que não há vínculo empregatício entre franqueador e empregados da unidade franqueada. Na prática, porém, decisões judiciais em relações com consumidores podem reconhecer responsabilidade da franqueadora, sobretudo quando a marca se apresenta ao público de forma unificada.

Não verificar metas, suporte e viabilidade real da operação

Além das taxas e royalties, o investidor precisa checar metas contratuais, penalidades, nível de suporte operacional, treinamento oferecido, perfil do ponto comercial e necessidade de capital de giro. “Ignorar esses fatores leva o empreendedor a entrar no negócio com uma visão incompleta dos riscos e da sustentabilidade financeira da operação”, conclui Fontes.

Investir em uma franquia com o setor em alta pode parecer uma decisão de baixo risco. Os contratos mostram que o diabo mora nos detalhes, e que ler com atenção o que se assina continua sendo a melhor proteção disponível.

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