Frente Ampla
Por que Fernando Haddad
O desafio é ampliar a margem na capital, avançar na região metropolitana e diminuir a vantagem de Tarcísio no restante
Fernando Haddad até que resistiu, mas, ao fim, cedeu aos apelos do presidente Lula, das forças progressistas e de amplas camadas do povo de São Paulo que anseiam por mudanças.
E por que Haddad?, alguns podem perguntar. Primeiro, porque tem lado, tem compromisso. Haddad aceitou o desafio de ser candidato a governador porque é um homem público de grande envergadura, comprometido com um projeto de País soberano, democrático e inclusivo, que será ainda mais exitoso se contar com o reforço do mais populoso e pujante estado da Federação.
Lembremos: o terceiro mandato do presidente Lula é a quinta vitória nacional do campo progressista desde a redemocratização. Na cidade de São Paulo, as forças populares já governaram três vezes desde então. Mas nunca se logrou a vitória da centro-esquerda no Palácio dos Bandeirantes. E isso pode mudar agora? Acredito que sim e aponto os motivos.
O governador Tarcísio de Freitas foi eleito, por margem apertada, em uma conjuntura específica, a reboque da candidatura de Jair Bolsonaro e sem ter de prestar contas de suas próprias decisões políticas. Era, por assim dizer, um livro sem história. Agora, há páginas escritas e elas não formam uma boa obra.
Vendido como “gestor”, Tarcísio só sobrevive porque a burocracia que gere a máquina estatal anda sozinha, mas a verdade é que seu mandato é vazio de realizações para o povo e comprometido com o que há de pior na política paulista.
O que Tarcísio entregou já estava preparado antes dele e o que realizou foi o pior possível: a explosão da violência policial, que mata indiscriminadamente nas periferias; a ruína da educação estadual, com militarização, privatização da gestão e sucateamento das condições profissionais; a criminosa privatização da Sabesp, que já redundou em aumento da conta, racionamento, vazamento de toneladas de esgoto no Rio Pinheiros e a explosão da caixa d`água em Mairiporã, que deixou um morto, feridos e casas alagadas; e a farra dos pedágios “free flow”, que se alastram descontroladamente pelas rodovias paulistas, encarecendo a produção e o frete. Esses são alguns exemplos e isso será dito ao povo durante a campanha.
Comparemos com a gestão Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. Pegou a destruição das contas públicas feita por Bolsonaro, que fugiu do governo sem deixar sequer o Orçamento do ano seguinte viabilizado, somada à bomba-relógio do calote nos precatórios. E mais: crescimento medíocre e inflação galopante. Haddad trabalhou desde a PEC da Transição até colocar a casa em ordem. Entregou o cargo com a menor inflação média dos últimos 20 anos, crescimento econômico médio de 3%, taxa de desemprego em 5,8% em fevereiro — a menor da série histórica do IBGE para o mês — e a renda em expansão, com a renda domiciliar per capita atingindo 2.316 reais em 2025.
Além disso, mostrando grande capacidade de diálogo, Fernando Haddad foi peça central para aprovação da reforma tributária, que dormitava nos escaninhos do Congresso há mais de 30 anos. Entregou ainda a principal promessa de campanha do presidente Lula em 2022, a isenção do imposto de renda até 5 mil reais. Detalhe: fez isso com o governo sendo minoria, principalmente na Câmara dos Deputados.
Haddad tem força eleitoral já testada e com possibilidade de ampliação. Já foi prefeito da cidade de São Paulo e, em 2022, teve o melhor desempenho de um candidato de centro esquerda desde sempre, obtendo 44,73% dos votos no segundo turno. Agora, com a campanha ainda longe de se iniciar, a pesquisa Atlas/Intel corroborou a viabilidade de sua candidatura, que já pontua 42,6% contra 49,1% de Tarcísio. Chama a atenção que o ex-ministro vence entre os mais jovens e empata entre as mulheres, pontos muito positivos a serem explorados.
Assim como na eleição passada, as sondagens mostram que Haddad vence na capital, vai bem na região metropolitana e tem como calcanhar de Aquiles o interior e a baixada santista, que, hoje, desequilibram a disputa em favor do governador. O desafio, portanto, é ampliar a margem em São Paulo, avançar na região metropolitana e diminuir a vantagem de Tarcísio no restante. Difícil? Sim, mas não impossível.
Na minha opinião, serão necessários alguns movimentos, a começar pela escolha de um ou uma vice que dialogue com o interior do estado e tenha capacidade de agregação ao centro. Igualmente, o programa terá papel central e deverá criticar a inépcia do governo Tarcísio, explorar as realizações de Lula, mas, principalmente, apresentar propostas e perspectivas que atraiam segmentos do eleitorado, quebrem resistências e acenem a setores econômicos.
Será, sem dúvidas, uma batalha duríssima. Mas estou convencido de que Fernando Haddad é o melhor nome de nosso campo para proporcionar o palanque mais sólido para Lula, travar o embate necessário contra o bolsonarismo e alcançar uma vitória inédita em São Paulo.
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