Do Micro Ao Macro
Duplicata escritural pode baratear crédito para PMEs; veja como
A digitalização dos títulos comerciais abre caminho para PMEs negociarem taxas melhores e acessarem mais financiadores com seus próprios recebíveis
A duplicata escritural começa a mudar a relação das pequenas e médias empresas com o crédito no Brasil. Ao nascer em formato eletrônico e registrado em centrais autorizadas pelo Banco Central, o título ganha uma identidade única no sistema financeiro, o que reduz a dependência do empreendedor em relação ao banco com o qual já opera e abre espaço para taxas mais competitivas.
Por décadas, o acesso ao capital de giro foi um dos maiores entraves para a gestão de PMEs. O empreendedor quase sempre ficava preso às condições de uma única instituição, sem histórico consolidado para apresentar a outros financiadores e sem garantias reais além do próprio patrimônio pessoal.
Recebíveis com identidade própria
O modelo escritural rompe com essa lógica. Com o registro centralizado, o título deixa de ficar vinculado a um único banco e passa a pertencer à empresa. A partir daí, o gestor pode apresentar seus recebíveis a factorings, FIDCs ou outras instituições financeiras, usando o próprio faturamento futuro como garantia auditável.
Para Magno Lima, CEO da SPC Grafeno, o ponto mais relevante para a PME é a construção de um histórico de crédito. “Quando os recebíveis são registrados de forma centralizada, a empresa passa a ter uma vitrine de sua saúde financeira. Isso gera visibilidade para o mercado: outros financiadores podem enxergar a qualidade desses ativos e competir para oferecer crédito”, afirma o executivo.
Menos risco, mais disputa por clientes
A digitalização dos títulos ataca um problema antigo do mercado: a emissão de duplicatas sem lastro ou a antecipação do mesmo documento em mais de uma instituição. Com o registro eletrônico, qualquer alteração ou cancelamento do título fica visível ao financiador em tempo real, o que reduz a insegurança jurídica e o chamado “spread” embutido no custo do crédito.
O efeito prático é a portabilidade. A PME passa a poder comparar ofertas de antecipação e migrar para a instituição com melhores condições, algo que antes dependia de relacionamento ou do bom humor do gerente de conta.
Integração com a gestão do dia a dia
Outro desdobramento da duplicata escritural está na operação cotidiana das empresas. A integração com sistemas de gestão e plataformas financeiras agiliza o aceite e a liquidação dos títulos, reduzindo os erros manuais que costumam travar o fluxo de caixa em momentos de alta movimentação.
Lima resume o impacto em termos diretos: “Ao remover a subjetividade do risco, o crédito deixa de ser uma barreira e passa a ser uma ferramenta de planejamento. O empreendedor deixa de pagar pelo custo da incerteza do mercado e passa a ser precificado pelo seu desempenho real.”
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