CartaCapital

assine e leia

Apenas Flávio

O filho 01 de Bolsonaro veste um figurino que não lhe cabe, enquanto torce pelo incerto engajamento de Tarcísio de Freitas e Donald Trump em sua campanha

Apenas Flávio
Apenas Flávio
Imagem: Leandro Lozada/AFP
Apoie Siga-nos no

Em 4 de abril acaba o mistério: Tarcísio de Freitas continuará governador de São Paulo? Para concorrer à Presidência da República em outubro, o anti-Lula predileto do “mercado”, do empresariado e da grande mídia teria de deixar o cargo até esta data. Vontade de subir a rampa do Palácio do Planalto não lhe faltava, ainda que considerasse o atual chefe da nação um oponente duríssimo de bater. A concessão judicial de prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, dez dias antes do fim do prazo para Tarcísio decidir se abandonava São Paulo e alçava voos mais altos, havia realimentado os sonhos do governador. É o que havia confidenciado um dos auxiliares mais próximos dele em conversas com a turma da Avenida Faria Lima, a meca do capital financeiro no Brasil.

O governador tinha esperanças de que seria ungido por Bolsonaro como candidato, segundo o auxiliar. Por aí entende-se o empenho pelo relaxamento da prisão do capitão. Na semana anterior ao alívio, viajou a Brasília e reuniu-se separadamente com cinco ministros do Supremo Tribunal Federal. Incluiu na agenda pública os compromissos, um dos quais com Alexandre de Moraes, o autor do despacho que mandou Bolsonaro para casa por três meses por razões de saúde. “O Alexandre correu com as condenações (no STF e na Justiça Eleitoral) do Bolsonaro para ajudar o Tarcísio”, avalia um ministro de Lula. Será? Moraes chegou ao Supremo em 2017 pelas mãos do então presidente Michel Temer, este teve Tarcísio na equipe e hoje é do fã-clube do governador.

O governador paulista fez um périplo pelos gabinetes do STF para livrar Jair Bolsonaro da papudinha

O cárcere caseiro de Bolsonaro mexeu com as emoções de mais gente, não apenas dos tarcisistas. Interlocutores de Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do capitão, sopraram a alguns jornalistas que um risco tinha passado a rondar o “Zero Um” desde a volta do ex-presidente ao lar. Michelle Bolsonaro poderia fazer a cabeça do marido para apoiar Tarcísio ao Planalto. “Eles têm problema na família, lógico, mas nós vamos ter que resolver todos. Se nós não resolvermos esses problemas, o Eduardo Bolsonaro não volta mais para o Brasil.” Palavras de Valdemar Costa Neto, chefe do PL, o partido bolsonarista, após participar, em 30 de março, de um almoço do Lide, aquela panelinha de ricos e políticos fundada por João Dória Jr., ex-governador de São Paulo.

Eduardo está em autoexílio nos Estados Unidos há mais de um ano e lá conspirou para que o governo Donald Trump ajudasse a livrar a cara do pai no Judiciário brasileiro. Graças a tais maquinações, terminou no banco dos réus também. Está marcado para 14 de abril seu interrogatório na ação penal em que é acusado pela Procuradoria-Geral da República de tentar constranger e coagir a Justiça no processo do pai por tentativa de golpe. Caso Moraes, o relator da ação penal, seja rápido como foi com Bolsonaro, Eduardo tem tudo para estar sentenciado e inelegível em julho, ou seja, fora da campanha e com sentença de prisão. Para que possa regressar ao Brasil livremente, seu irmão precisa disputar contra Lula, derrotar o petista e conceder indulto à família toda.

A prisão domiciliar de Bolsonaro reavivou as esperanças dos tarcisistas na corrida presidencial – Imagem: Vinicius Schimidt/Metrópoles/AFP

Caso esteja mesmo no páreo, e Tarcísio não, uma desconfiança assombrará o senador: o governador trabalhará pela vitória de Flávio? O estado de São Paulo, terra de 22% do eleitorado, é um campo de batalha fundamental no pleito, daí Lula ter insistido com Fernando Haddad para que ele dispute de novo o cargo de governador. Para Lula triunfar, o PT precisa ao menos repetir o desempenho paulista de 2022, quando Haddad atingiu 45% contra Tarcísio no duelo final. “Para o Tarcísio, não interessa que o Flávio ganhe, senão acabam as chances de ele concorrer a presidente em 2030”, diz Ivan Valente, deputado pelo PSOL paulista. Eleito, o senador seria postulante natural à reeleição em 2030 – isso, claro, sem considerar uma anistia ao pai, o que recolocaria o capitão no tabuleiro. Em 2 de março, Flávio propôs no Senado mexer na Constituição para abolir a reeleição. Extinguir só para o cargo de presidente e com validade já para o vencedor deste ano. Uma isca para engajar Tarcísio em sua canoa.

Para Costa Neto, as chances de 01 dependem do empenho de três personagens, e um deles é Tarcísio – Michelle e Nikolas Ferreira, deputado por Minas Gerais, são os outros. “Precisamos ganhar a eleição. Porque, se nós perdermos, o Bolsonaro vai ficar mais oito, dez anos fechado (preso)”, declarou o cacique do PL em 3 de março. Não há dúvida: o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro é, antes de tudo, um empreendimento familiar, o Brasil vem depois. Em junho do ano passado, o senador disse à Folha de S.Paulo que o indulto ao pai era a condição para o apoio do capitão. E que, para sair do papel, a anistia exigiria peitar o Supremo, pois o PT recorreria ao tribunal para derrubá-la. O STF já avisou que a considera inconstitucional. “É uma hipótese muito ruim, porque a gente está falando de possibilidade e de uso da força. A gente está falando da possibilidade de interferência direta entre os Poderes”, dizia o 01. “Então vai ter que ser alguém na Presidência que tenha o comprometimento, não sei de que forma, de que isso (o indulto) seja cumprido.”

Os bolsonaristas têm planos de ocupar 50 das 81 cadeiras do senado a partir de 2027

O pilar de sua pré-candidatura e a sua disposição de tirar o pai da cadeia na marra mostram que o senador está longe de ser a figura que tem sido construída para atrair os eleitores. Esse “Flávio” da marquetagem é um impostor. O da vida real representa uma ameaça autoritária tanto quanto o pai, apesar das juras de Costa Neto de que seria mais “normal” e “equilibrado”, um “Bolsonaro que tomou vacina” anti-Covid. Ressalte-se ainda que, de acordo com o chefe do PL, o capitão chamou para si a definição dos competidores que o partido lançará ou apoiará para o Senado. É esta casa legislativa que decide sobre impeachment de ministros do Supremo e indicados para o tribunal. As projeções do PL apontam para uma bancada bolsonarista, incluídos integrantes de outras legendas, com 50 das 81 vagas no Senado a partir do ano que vem.

No esforço para suavizar a imagem de 01, vale tudo. Até apostar no uso preferencial do nome “Flávio”, sem o sobrenome, apesar de ser esse mesmo sobrenome o responsável pela boa posição nas pesquisas. Em fevereiro, Fabio Wajngarten, ministro da Comunicação Social de Bolsonaro, propôs um concurso nas redes sociais, a fim de selecionar dez jingles musicais sobre “meu amigo Flávio”. Os autores teriam direito a um churrasco com o senador. Este republicou recentemente no Instagram uma foto feita por Inteligência Artificial na qual recebe um beijo no rosto de um homossexual que é pré-candidato a deputado estadual pelo MDB em São Paulo. O clã sempre destilou preconceito contra os gays. Bolsonaro declarou certa vez em uma entrevista: “Prefiro filho morto em acidente a um homosse­xual”. Na vitoriosa campanha de 2018, utilizou a mentira do kit gay contra Haddad.

Ronaldo Caiado só tem chances se surrupiar eleitores de Flávio Bolsonaro. Se o irmão não derrotar Lula, Eduardo não poderá retornar ao Brasil, observa Valdemar Costa Neto – Imagem: Ricardo Stuckert/PR, Alesp, CPAC 2026 e Eduardo Mattos/Scriptum Comunicação

Mais uma do impostor. Flávio escreveu no X que para vencer deseja contar com “todes”. A linguagem neutra, que não diferencia gênero sexual, é alvo de ataques e deboches da base bolsonarista. E se as mulheres, tratadas por essa mesma base como inferiores aos homens, são mais inclinadas por Lula, lá foi Flávio votar a favor de uma lei que equipara a misoginia ao crime de racismo. O “Flávio” verdadeiro surgiu depois, ao dar explicações a respeito do endosso ao projeto da senadora lulista Ana Paula Lobato, do PDT do Maranhão. “Você acha que eu ou quem é de direita vai ser a favor de algum projeto que dê instrumentos para o governo censurar a liberdade de expressão, a liberdade de opinião nas redes sociais? É claro que não, mas estava um circo todo armado.” O projeto ainda precisa ser examinado pelos deputados.

“Só de assistir à entrevista de Flávio Bolsonaro, tentando explicar os motivos de ter votado a favor de um projeto de lei ao qual se diz contrário, já fica nítido que esse rapaz não tem a menor condição de enfrentar ninguém nos debates. Vale lembrar que ele desmaiou, ao debater em busca de cargo bem mais simples”, observou Janaina Paschoal, advogada do i­mpeachment de Dilma Rousseff e deputada estadual paulista de 2019 a 2023, eleita no embalo da onda bolsonarista. O citado “desmaio” ocorreu diante das câmeras de tevê em 2016, na campanha para prefeito do Rio. “Não tem como a direita se unir em torno dessa candidatura, não importa o barulho que façam nas redes”, emendou Janaina no X.

O tarifaço de Donald Trump ajudou a elevar a popularidade de Lula, que ainda articula uma visita à Casa Branca nas próximas semanas – Imagem: Daniel Torok/Casa Branca Oficial

Ronaldo Caiado, governador de ­Goiás, quer ser uma alternativa direitista. Foi oficializado como postulante do PSD, embora todas as candidaturas existirão para valer somente se aprovadas em convenções partidárias entre 20 de julho e 5 de agosto. Caiado é um ruralista reacionário que não admite ter havido a ditadura inaugurada em 1964, há exatos 62 anos. Médico-veterinário de formação, ao menos não foi negacionista na pandemia de Coronavírus, motivo de desavenças com o governo Bolsonaro. Terá alguma chance na eleição apenas com um surrupio de eleitores do filho do capitão. As críticas que fez e fará a Lula serão para lembrar ao eleitorado que é oposição, não para tirar votos do petista. Eis por que prometeu anistia a Jair e atirou contra Flávio, ao ser anunciado pelo PSD. Segundo ele, o senador não tem experiência para governar.

Otoni de Paula, deputado evangélico do Rio, apoiou Bolsonaro em 2018 e agora diz que irá de Caiado. Até trocou o MDB pelo PSD. Tem dito que Flávio está metido em corrupção em hospitais federais do Rio. No governo do capitão, houve denúncias de que milicianos controlavam um deles, em Bonsucesso.

“Esse rapaz não tem a menor condição de enfrentar alguém nos debates”, avalia janaina Paschoal

Um veterano analista de pesquisas acrescenta: Flávio Bolsonaro é um “péssimo” candidato. A força dele é o sobrenome, pouco para uma decisão racional de voto, embora o que seja “racional” varie entre os eleitores. O currículo também não ajuda. O parlamentar não tem proposta legislativa aprovada digna de tremular em campanha. E ele ainda carrega o peso da acusação de praticar “rachadinha”, descrição folclórica de um crime sério, o de peculato, que é embolso de verba pública por quem deveria cuidar dela. Em 2020, o Ministério Público do Rio denunciou-o ao Tribunal de Justiça fluminense por peculato e lavagem de um dinheiro que deveria ter pago funcionários legislativos no tempo em que Flávio era deputado estadual. Lavagem feita, por exemplo, com uma loja de chocolate. Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça anulou quebras de sigilos bancário e fiscal que embasavam a acusação, enquanto o STF fez o mesmo com relatórios do Coaf, o órgão federal de combate à lavagem. No fim das contas, o próprio MP pediu ao TJ que rejeitasse a acusação, pois ela não parava em pé sem as provas anuladas.

O rolo da “rachadinha” é responsável por uma hipocrisia monumental na pré-campanha deste ano. Sergio Moro era ministro da Justiça de Bolsonaro e foi demitido em abril de 2020, pois o capitão queria trocar a direção da Polícia Federal para salvar o primogênito. Dali em diante, Moro e o bolsonarismo viveriam momentos crispados. Em novembro de 2021, o ex-juiz filiou-se a um partido, a fim de disputar o Planalto (não conseguiu, teve de se contentar com o Senado), e tascou: “Chega de rachadinha”. Agora, ingressou no PL para concorrer a governador do Paraná e promete subir com Flávio no palanque. Por falar em hipocrisia, o bolsonarismo sempre foi inimigo dos direitos humanos, mas os empregou para “sensibilizar” o Supremo e arrancar uma prisão domiciliar para o capitão. O deputado Rui Falcão, do PT paulista, entrou com uma ação na Corte a pedir o mesmo tratamento a condenados idosos e doentes.

O tarifaço de Donald Trump ajudou a elevar a popularidade de Lula, que ainda articula uma visita à Casa Branca nas próximas semanas – Imagem: Daniel Torok/Casa Branca Oficial

De volta ao veterano analista de pesquisas. Segundo ele, apesar de “péssimo” candidato, Flávio tem chances contra Lula. Mandatários de todo o mundo enfrentam insatisfação popular. De um grupo de 24 chefes de governo, 16 eram reprovados em março, conforme pesquisa periódica de uma consultoria americana, a Morning. A vida dos cidadãos não melhora, o capitalismo neoliberal produz poucos ricos e uma legião de pobres, eis as causas do descontentamento. Isso tudo vale para o Brasil, onde o salário é recorde, mas incapaz de gerar mobilidade social. Além disso, houve um estrago na imagem de Lula provocado pela mídia, com anos de noticiário sobre “corrupção”. Os escândalos do ex-Banco Master e do INSS colocaram o tema na berlinda de novo. E há a idade de Lula. Aos 81 anos, ele não tem mais o vigor do líder metalúrgico. Dificilmente será visto como uma inspiração de futuro.

Há alguns dias, Duda Lima, marqueteiro de Bolsonaro em 2022, disse nos EUA que Lula “não tem mais aquela atividade cognitiva que sempre teve”. Sinal de que a extrema-direita pretende martelar que o adversário carece de condições mentais. Trump agiu assim contra Joe Biden. Nos bastidores do Congresso, comenta-se que um estrategista da pré-campanha de Flávio Bolsonaro faz uma avaliação fatalista sobre o papel de Trump na eleição: a neutralidade dele será mortal para o filho do capitão. Uma “neutralidade” que ficaria pavimentada, caso recebesse Lula na Casa Branca. Nasceria no encontro um “acordo de cavalheiros”, comenta um colaborador do petista. Um colaborador que considera que Lula pode tirar proveito, caso Trump torça e aja publicamente por Flávio. O “tarifaço” norte-americano aos produtos brasileiros colaborou para melhorar o ibope presidencial. Não há, porém, data à vista para Lula viajar a Washington. A expectativa dele era ter decolado em março.

Agora, Flávio se apresenta até como defensor dos direitos LGBT. Se for eleito, Tarcísio perde a chance de disputar a Presidência em 2030. O governador se engajará em sua campanha? – Imagem: Lula Marques/Agência Brasil e Redes Sociais

Quem embarcou foi Flávio, para comparecer a uma conferência global da extrema-direita, a CPAC, uma criação do trumpismo. Seu discurso se destinava a atrair a atenção do presidente norte-americano, que não estava presente. O senador foi entreguista. Só faltou seguir o exemplo paterno e bater continência para a bandeira do Tio Sam. “Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do continente, ou um antagonista que se alinha com adversários norte-americanos e torna sua política para a região impossível”, afirmou. “O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido, porque o Brasil é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras-raras.” Aquele colaborador de Lula tem visão semelhante sobre o significado da disputa. Para ele, será a “Batalha de Stalingrado” da extrema-direita global. Após a vitória dos soviéticos em Stalingrado, era questão de tempo a derrota do nazismo na Segunda Guerra Mundial.

Os planos econômicos de Flávio também merecerão uma operação de marketing para ocultar inconveniências. Os economistas da órbita do bolsonarismo defendem coisas como eliminar o reajuste real do salário mínimo, manter a jornada de trabalho de 44 horas semanais e seis dias por semana, privatizar a Petrobras. Um deles é Adolfo Sachsida, último ministro de Minas e Energia de Bolsonaro e um dos listados perante o STF como “advogado” do capitão, para que tenha acesso ao condenado na prisão. Sachsida passou um tempo como assessor do senador potiguar Rogério Marinho, secretário-geral do PL. Em 5 de março, Marinho falou à Folha que são necessárias novas reformas da Previdência e trabalhista. Reforma é, via de regra, retirada de direitos do povão. Segundo Marinho, o plano de governo de Flávio Bolsonaro seria lançado em 30 de março. O mês se foi, e nada. A ideia no bolsonarismo, por ora, é esconder o jogo econômico. Para entreter a plateia, repete como mantra a platitude de que o senador fará um “tesouraço” nos impostos, caso eleito. •

Publicado na edição n° 1407 de CartaCapital, em 08 de abril de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Apenas Flávio’

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo