Saúde
Anvisa descarta emergência em saúde após furto de amostras virais da Unicamp
São suspeitos a professora Soledad Palameta Miller e seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller; o caso segue sendo investigado pela PF
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, informou que não identifica, até o momento, uma situação de emergência em saúde em decorrência do furto de amostrais virais de um laboratório da Unicamp, em Campinas (SP).
“Em que pese o fato de a Anvisa não ser a responsável pela fiscalização de laboratórios de pesquisa científica e experimental, os técnicos da agência não constataram, com base nas informações disponíveis até o momento, a hipótese de emergência de saúde em decorrência desse material”, declarou a agência em nota divulgada na segunda-feira 30.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Federal e o inquérito corre sob sigilo. A Anvisa atuou com colaboração técnica na operação que possibilitou o resgate das amostras furtadas.
São suspeitos pelo furto do material biológico a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, e seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller. A corporação acredita que o furto esteja relacionado a interesses de pesquisa do casal, descartando um caso de terrorismo biológico.
As amostras furtadas foram recuperadas na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp e no Instituto de Biologia, onde fica o Laboratório de Virologia, de onde as primeiras amostras teriam sido furtadas. Segundo as investigações, diante a repercussão do caso, a pesquisadora Soledad teria voltado à universidade e tentado descartar o material biológico para se livrar de evidências do furto.
Teriam sido levadas cepas dos vírus da dengue, Zika, chikungunya, Epstein-Barr, herpes e coronavírus, além de vírus da gripe H1N1 e H3N9.
Em última manifestação sobre o caso, registrada no dia 26 de março, a Unicamp declarou que está colaborando integralmente com as autoridades policiais e judiciárias para o esclarecimento dos fatos e que, caso fiquem comprovadas as implicações criminais, tomará todas as medidas cabíveis para a devida responsabilização dos envolvidos.
“Em respeito à autoridade legal da PF e para não comprometer a integridade das investigações em curso, a Universidade não se pronunciará, por ora, sobre o conteúdo específico dos materiais em questão”, registrou.
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