Mundo

Aplicação da pena de morte em Israel seria ‘crime de guerra’, diz alto comissário da ONU

A medida, chancelada pelo Parlamento israelense, afetaria principalmente palestinos

Aplicação da pena de morte em Israel seria ‘crime de guerra’, diz alto comissário da ONU
Aplicação da pena de morte em Israel seria ‘crime de guerra’, diz alto comissário da ONU
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu – foto: Ronen Zvulun/Pool/AFP
Apoie Siga-nos no

A aplicação de uma nova lei em Israel para instaurar a pena de morte para condenados por ataques qualificados como atos de “terrorismo”, que afetaria principalmente palestinos, constituiria um “crime de guerra”, declarou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos nesta terça-feira 31.

A aplicação dessa lei aprovada na segunda-feira pelo Parlamento de Israel, que tornaria a pena de morte o castigo padrão para palestinos na Cisjordânia condenados por ataques considerados atos de “terrorismo” por um tribunal militar israelense, “é discriminatória e constituiria uma violação adicional particularmente grave do direito internacional”, afirmou o alto comissário Volker Türk em um comunicado.

“Sua aplicação a habitantes desse território palestino ocupado constituiria um crime de guerra”, declarou Türk.

A lei estipula que qualquer pessoa “que provoque intencionalmente a morte de outra com o objetivo de causar dano a um cidadão ou residente israelense, com a intenção de pôr fim à existência do Estado de Israel, poderá ser condenada à morte ou à prisão perpétua”.

A pena de morte está prevista na ordem jurídica israelense, mas o país aplica uma moratória de fato, e a última pessoa executada foi o criminoso nazista Adolf Eichmann, em 1962.

O alto comissário também expressou preocupação com outro projeto de lei em tramitação no Parlamento de Israel para estabelecer um tribunal especial militar para os crimes cometidos durante e após o ataque do movimento islamista palestino Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.

Esse novo tribunal não teria jurisdição sobre os crimes cometidos pelas forças israelenses nesse território palestino ocupado.

Türk instou o Parlamento israelense a rejeitar essa lei, advertindo que “ela se concentra exclusivamente nos crimes cometidos por palestinos, o que institucionalizaria a discriminação e a parcialidade da Justiça”.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo