Política

Sem acordo com o Centrão, Lula mantém Alckmin e repete coligação de 2022

O posto de vice era tratado como trunfo na tentativa de atrair um partido de ‘centro’, mas o plano não prosperou

Sem acordo com o Centrão, Lula mantém Alckmin e repete coligação de 2022
Sem acordo com o Centrão, Lula mantém Alckmin e repete coligação de 2022
Geraldo Alckmin e Lula em reunião ministerial em 31 de março de 2026. Foto: Sergio Lima/AFP
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O presidente Lula (PT) confirmou, nesta terça-feira 31, que Geraldo Alckmin (PSB) será seu vice na tentativa de reeleição em outubro. Encerrou, assim, meses de especulação sobre a formação de sua chapa, em meio à tentativa de atrair um grande partido de ‘centro’.

Os grandes alvos do presidente eram MDB (como de praxe, rachado na disputa nacional), PSD (que lançou Ronaldo Caiado) e União Brasil (em federação com o PP de Ciro Nogueira). Nenhuma dessas siglas, portanto, deve caminhar ao lado de Lula na corrida eleitoral.

Com a dificuldade de construir alianças formais com siglas do “Centrão”, Lula tende a contar com uma coligação majoritariamente à esquerda, nos moldes do que ocorreu há quatro anos, quando teve o apoio oficial de PSB, PSOL, Rede, PCdoB e PV, além do endosso de partidos pequenos como Solidariedade, Avante, Agir e PROS.

Então candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL) amealhou em 2022 apenas o suporte de Republicanos e PP. O União Brasil lançou Soraya Thronicke (que recebeu 0,51% dos votos), enquanto PSD e MDB, profundamente divididos, se mantiveram neutros no primeiro e no segundo turnos, liberando seus diretórios estaduais.

Ao longo dos últimos meses, auxiliares de Lula defenderam  que só faria sentido sacar Alckmin da chapa se fosse possível oferecer a vice a um grande partido. Ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB) disse a CartaCapital que mudar a chapa por outros motivos transmitiria uma imagem de traição — como a pecha que colou no ex-governador de São Paulo João Doria, alçado à política partidária pelo atual vice-presidente.

Em 2026, o PSB tende a ser novamente o segundo maior partido da coligação de Lula, atrás apenas do PT. O presidente sabe, no entanto, que contará com aliados no MDB e no PSD — especialmente no Nordeste, como o senador Otto Alencar (PSD-BA). São legendas que abrigam ao mesmo tempo lulistas e bolsonaristas, e seu foco é construir grandes bancadas no Congresso Nacional, razão pela qual vencer a disputa presidencial se torna secundário —mesmo com o pessedista Caiado no jogo.

Não é a primeira vez que Lula opta por manter o vice na busca por uma reeleição: José Alencar, primeiro pelo PL e depois pelo PRB (atual Republicanos), esteve com o petista nas campanhas vitoriosas de 2002 e 2006.

Entre os dois vices, contudo, há notáveis diferenças, ressalta o cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. “Alencar jamais foi mesmo um político, enquanto Alckmin é um político com uma trajetória muito consolidada.” O atual vice de Lula ostenta, por exemplo, quatro mandatos como governador de São Paulo.

Empresário, Alencar chegou a divergir da política econômica chefiada por Antônio Palocci no primeiro mandato de Lula, contrário especialmente aos juros altos como medida para segurar a inflação. A exemplo de Alckmin, ministro de Indústria e Comércio, Alencar assumiu uma pasta enquanto era vice-presidente: comandou a Defesa entre novembro de 2004 e março de 2006.

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