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Irã lança mísseis contra países do Oriente Médio após ameaça de Trump

Os iranianos denunciam ataques que causaram apagões em Teerã

Irã lança mísseis contra países do Oriente Médio após ameaça de Trump
Irã lança mísseis contra países do Oriente Médio após ameaça de Trump
Imagens de redes sociais mostram coluna de fumaça em Isfahan, no Irã, após ataque das forças israelenses e dos EUA –imagem: AFP
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O Irã lançou mísseis nesta terça-feira 31 contra países do Oriente Médio ao mesmo tempo que sua capital foi alvo de explosões, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou destruir seu principal centro de exportação de petróleo e usinas de energia elétrica e de dessalinização de água.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aliado de Trump nos ataques contra o Irã, afirmou que mais da metade dos alvos militares foi atingida, mas se recusou a estabelecer um prazo para concluir a operação, que já dura mais de um mês e abala a economia mundial.

O Exército israelense afirmou que interceptou mísseis lançados a partir do Irã. Por sua vez, a imprensa iraniana noticiou novas explosões em Teerã que provocaram apagões em várias partes da capital.

Israel também informou nesta terça-feira que quatro soldados morreram em combate no sul do Líbano, onde suas forças militares enfrentam o movimento pró-iraniano Hezbollah.

Antes dos últimos bombardeios em Teerã, Israel publicou um alerta na rede social X aos moradores de uma área da zona oeste da cidade para avisar que atacaria “infraestrutura militar” na região.

A imprensa iraniana confirmou que “locais militares” no centro do país foram atingidos pelos ataques.

O Irã também lançou uma nova onda de mísseis contra seus vizinhos do Golfo, países que acusa de servir de plataforma para os ataques americanos.

Em Dubai, quatro pessoas ficaram feridas na queda de destroços de projéteis interceptados. Um ataque iraniano provocou um incêndio em um navio-tanque kuwaitiano no porto de Dubai.

Na Arábia Saudita, as autoridades anunciaram que interceptaram oito mísseis balísticos, depois que o Irã exigiu que Riade “expulse as forças americanas”.

Trump advertiu o Irã que, se o país não aceitar um acordo para encerrar o conflito, “destruiria completamente” a ilha de Kharg, que concentra 90% das exportações de petróleo iraniano, e arrasaria as usinas geradoras de eletricidade, poços de petróleo e centrais de dessalinização.

Contudo, segundo o jornal Wall Street Journal, Trump disse a seus aliados que estaria disposto a encerrar a guerra mesmo se o Irã não aceitar reabrir o Estreito de Ormuz, crucial para o trânsito de combustíveis e bloqueado por Teerã desde o início do conflito.

Por sua vez, uma comissão do Parlamento iraniano aprovou a cobrança de pedágios para os navios que atravessam o Estreito de Ormuz. A televisão estatal informou que o Irã proibiria a passagem de embarcações dos Estados Unidos e de Israel.

A decisão foi repudiada pelos Estados Unidos. O secretário de Estado Marco Rubio declarou à rede Al Jazeera que “ninguém no mundo poderia aceitar isso”.

‘Mais da metade’

Netanyahu afirmou que as Forças Armadas de Israel alcançaram objetivos cruciais, como “eliminar” instalações industriais iranianas, e que estão “perto de acabar com a indústria armamentista” do país.

“Definitivamente (a guerra) já passou da metade, mas não quero estabelecer um calendário para o fim”, disse Netanyahu ao canal americano Newsmax.

O presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi, fez um apelo a Trump para que termine o conflito rapidamente.

Trump insiste que mantém contato com autoridades iranianas, que ele não identificou e limitou-se a dizer que são pessoas “razoáveis”.

Mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, descartou qualquer negociação e disse que Washington enviou apenas um pedido de conversa por meio de intermediários, incluindo o Paquistão, que atua como mediador entre Estados Unidos e Irã.

Após semanas de bombardeios, os moradores de Teerã descrevem uma cidade que tenta se agarrar a qualquer sinal de normalidade, apesar da presença das forças de segurança.

“Quando sento a uma mesa do café, ainda que por alguns minutos, quase consigo acreditar que o mundo não acabou”, comentou Fatemeh, uma assistente de uma clínica odontológica de 27 anos.

“E depois eu volto para casa, de volta à realidade de viver em guerra, com toda a sua escuridão”, acrescentou.

Líbano

Em outra frente de batalha, Israel bombardeou o Líbano, incluindo o centro de Beirute, para atacar o Hezbollah, que lançou projéteis contra Israel em retaliação pela morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.

A missão de paz da ONU no Líbano informou que dois soldados indonésios morreram na segunda-feira quando “uma explosão de origem desconhecida destruiu seu veículo”. Outro capacete azul do país asiático morreu no domingo.

O Exército israelense anunciou na terça-feira que abriu uma investigação para determinar os responsáveis pelas mortes. A Indonésia pediu uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir o caso.

No campo econômico, ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais do G7 se reuniram em Paris para discutir o impacto da guerra e medidas para economizar energia.

Analistas de mercado advertiram que uma operação terrestre americana ou uma represália maior do Irã podem levar os preços do petróleo a níveis que não são registrados desde 2008.

Para agravar a pressão, os rebeldes huthis apoiados pelo Irã lançaram mísseis e drones no fim de semana contra Israel, o que ameaça a navegação no Mar Vermelho.

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