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Foto: Governo do Ceará

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A casa que o jovem não tinha

Nos bairros da periferia de Fortaleza, o Ceará experimenta um novo modelo de política pública para a juventude, com espaços que unem formação, tecnologia e escuta

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Nas periferias de Fortaleza, crescer com pouco não é apenas uma condição econômica, é uma equação que envolve tempo, espaço e acesso, três coisas que raramente sobram para quem mora longe do centro ou da Orla. Quem foi criado em bairros como Genibaú, Canindezinho ou Messejana sabe que o caminho até uma oportunidade costuma ser mais longo do que deveria. Muitas vezes, esse caminho simplesmente não existe.

Foi pensando em preencher o vazio e combater essa ausência que o governo do Estado doCeará construiu as Casas da Juventude Cearense, as CAJUs. Instaladas dentro das Vilas Sociais, equipamentos da Secretaria da Proteção Social localizados exatamente nesses três bairros da capital, as unidades chegam com um lema que soa simples e carrega uma aposta política clara: “Entra que a casa é tua.

As CAJUs funcionam de segunda a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados até o meio-dia. Nesse período, três tipos de espaço ficam abertos aos jovens da comunidade. O primeiro é a sala multiuso, adaptável para reuniões, palestras, workshops e atividades culturais. O segundo é o coworking, equipado com computadores e internet de alta velocidade, desenhado para estimular o empreendedorismo e o trabalho autônomo. O terceiro é a sala de atendimento psicossocial, reservada para o acompanhamento individual por profissionais, com espaço para orientação vocacional e apoio emocional.

A escolha dos cursos oferecidos em cada unidade segue a mesma lógica de escuta que orienta o projeto como um todo. As formações são definidas de acordo com as demandas locais e com o perfil do mercado de trabalho: design gráfico, fotografia, produção audiovisual, música, empreendedorismo, turismo, cultura e gastronomia compõem um cardápio que não é fixo, mas responsivo.

Foto: Governo do Ceará

O perfil de quem as CAJUs querem alcançar é amplo por definição. A Secretaria da Juventude do Ceará atende jovens de 15 a 29 anos, faixa etária que concentra algumas das maiores taxas de desemprego e de afastamento escolar do país. No Ceará, como no restante do Brasil, esse dado pesa mais nos bairros periféricos, onde a ausência de equipamentos públicos de cultura, formação e trabalho é histórica. As CAJUs respondem a essa lacuna com estrutura física permanente, não com programas temporários sujeitos ao calendário eleitoral.

Os espaços foram pensados para ser atrativos. As CAJUs são coloridas, abertas e, como o próprio projeto descreve, “instagramáveis”, um detalhe que não é cosmético. A estética faz parte da estratégia de aproximação com uma geração que responde a ambientes que comunicam pertencimento antes mesmo de qualquer palavra.

Adelita Monteiro, secretária da Juventude do Ceará, é direta ao falar sobre o que representam as casas. “Não é à toa que as Casas da Juventude estão localizadas nas periferias de Fortaleza e também serão levadas ao interior do estado. Venho de uma periferia e vivi as limitações de crescer em um ambiente que não oferece oportunidades. É um sonho ver as Casas da Juventude nascendo, com toda cor e alegria, oportunizando as juventudes a alcançarem seus objetivos”, afirma.

A fala de Monteiro aponta para algo que o formato das CAJUs tenta incorporar estruturalmente: a política pública foi desenhada por quem conhece o problema por dentro, não apenas pelos dados.

As inscrições para cursos e atendimento psicossocial são feitas presencialmente nas unidades, o que, por um lado, exige do jovem o primeiro passo, mas por outro reforça o vínculo com o espaço físico e com a comunidade ao redor. As CAJUs não são plataformas. São lugares.

Genibaú, Canindezinho e Messejana são os pontos de partida. AO que já existe é a aposta de que a periferia não precisa esperar pelo centro para ter acesso ao que o centro sempre ofereceu primeiro.

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