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Ao contrário da esquerda, a extrema-direita se movimenta rapidamente — até no exterior

Resta a esperança no povo brasileiro, que, mesmo tão pouco chamado à política, faz das tripas coração, resiste e ressurge

Ao contrário da esquerda, a extrema-direita se movimenta rapidamente — até no exterior
Ao contrário da esquerda, a extrema-direita se movimenta rapidamente — até no exterior
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Lula Marques/Agência Brasil
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“Jesus não escuta as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita, dizendo: ‘Mesmo que façam muitas orações, não as ouvirei: suas mãos estão cheias de sangue”

Papa Leão XIV

Existem limites até para um genocida como o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a reencarnação do demônio.

Após proibir a entrada no Santo Sepulcro do Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzabala, Chefe da Igreja Católica na Terra Santa, o monstro Netanyahu, depois da humilhação feita, muitas horas após voltou atrás.

Há séculos isso não acontecia.

O Cardeal dissera a verdade sobre o genocídio promovido pelo sionismo em Gaza e a verdade, como a luz, incomoda o principado das trevas.

Esperemos que os católicos que apoiam o Estado de Israel repensem sua posição, assim como entendam, de uma vez por todas, que os intolerantes não são os muçulmanos, mas os sionistas.

Aliás, já que estamos às vésperas do fatídico 1º de abril, data do golpe militar de 1964, que tal os militares — protagonistas e então paus mandados da oligarquia local — repensarem o erro que cometeram?

Trump foi claro: primeiro vai retomar Cuba, depois, toda a região. Disse isso literalmente na cúpula com os governantes de extrema-direita da América Latina.

Sim, senhores supostamente responsáveis pela defesa da pátria, não são — nem nunca foram — os vermelhos a nos ameaçarem, mas o império do Norte, aos quais os vocês se aliaram para o golpe de Estado, que traria terror para estas terras por 21 anos.

Se a esquerda despertar, perceberá que estamos em situação histórica similar àquela: a extrema-direita empurra o centro hegemônico do cristianismo para posicionamentos mais claros, que podem resultar em compromisso histórico com os setores progressistas.

Vale lembrar que foi assim que surgiram o próprio PT, a CUT, o MST etc.

O mesmo ocorreu nos demais países da América Latina e do Caribe.

Na Europa, o processo foi interrompido pelo terrorismo da extrema-esquerda, na verdade manipulado pela CIA, como foi o caso do sequestro e da morte do primeiro-ministro italiano Aldo Moro, que buscava uma aliança entre a Democracia-Cristã e o Partido Comunista.

Moro pagou com a vida a ousadia da busca da verdade histórica. A Itália paga até hoje, sob sucessivos governos de extrema-direita, que desindustrializaram o país, reduzindo a legislação trabalhista a uma quimera, reconcentrando renda, de tal sorte que esta será a primeira geração do pós-guerra que estará em condições socioeconômicas inferiores à de seus pais.

Para isso, precisaremos entender bem Marx, que nunca disse que a inclusão econômica levaria automaticamente à política.

Para tanto, poderá ser útil ler — ou reler com cuidado — Rosa Luxemburgo e Antonio Gramsci.

Ambos são claros: a política é determinada pela hegemonia cultural, como bem sabem os pastores neopentecostais e a oligarquias políticas, inclusive seus braços operacionais midiáticos, como a Rede Globo, no Brasil, que para isso foi criada, com financiamento do governo estadunidense, por meio do grupo Time-Life.

O golpe de 2016 deveria ter servido de lição, mas aparentemente para isso não serviu, tendo em vista a ausência de promoção de cultura política por parte do governo.

A extrema-direita, por seu lado, movimenta-se rapidamente, inclusive no campo externo.

Flávio Bolsonaro busca junto ao governo Trump a classificação do CV e do PCC como grupos terroristas, ao que parece, com dois objetivos: 1) legitimar intervenção militar direta dos EUA no Brasil; 2) limpar o terreno para as milícias, que disputam com aquelas duas organizações criminosas o tráfico nas favelas.

A ligação dos Bolsonaro com o crime organizado é antiga e notória; seu principal agente é justamente Flávio Bolsonaro, que condecorou os principais milicianos matadores do RJ, inclusive Adriano da Nóbrega, o pior deles – posteriormente também assassinado, em aparente queima de arquivo.

Mais ainda, Flávio empregou a mãe e a ex-mulher de Adriano em seu gabinete na Alerj, de sorte a que o matador não precisasse pagar a pensão devida à ex-mulher, cabendo ao contribuinte carioca fazê-lo…

Isso e mais está em Milicianos (editora Objetiva), de Rafael Soares, que deixa claro como Flávio se locupletava do salário dos assessores, por meio das famosas “rachadinhas”. Mais um batedor de carteira, do que um parlamentar, do que se pode apreender do livro.

Na verdade, basta seguir as políticas implementadas por Bolsonaro para entender isso: a liquidação da empresa pública de distribuição de gás Liquigás favoreceu diretamente as milícias, que têm como uma de suas principais fontes de renda a distribuição de gás nas comunidades pobres, por elas aterrorizadas.

Idem para a privatização da BR Distribuidora: o PCC tem na distribuição de combustíveis — e sua adulteração — outra importante fonte de recursos.

Com efeito, as ações de Jair Bolsonaro e de Paulo Guedes são um verdadeiro mapa de favorecimento dos ilícitos no País.

Vale notar que o operar dos Bolsonaros é idêntico ao da máfia italiana, utilizando os mesmos métodos, com objetivos em tudo similares.

Nesse sentido, o Brasil precisa, o quanto antes, elaborar uma legislação antimáfia, pois corremos o risco de vir a ter um presidente mafioso (seria o segundo, depois do desastre do desgoverno do pai genocida).

Vamos ter esperança no tirocínio do povo brasileiro, heroico, pois mesmo sendo tão pouco chamado à política, faz das tripas coração e resiste e ressurge, convertendo ódio em amor.

Feliz Páscoa de conversão e ressurreição a todos, todas e todes!

A opinião de colunistas e convidados não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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