Política
PSD lança Caiado ao Planalto e tenta formar a ‘terceira via’
Governador de Goiás é escolhido por Kassab para liderar projeto presidencial, em meio a divisões internas e cenário desfavorável nas pesquisas
O PSD lança nesta segunda-feira 30 o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República. A pré-candidatura será uma tentativa de posicionar o partido na disputa nacional dominada pela polarização entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A escolha foi conduzida pelo presidente da legenda, Gilberto Kassab, e busca dar unidade ao partido após um período de indefinição sobre quem representaria o “projeto”. A definição acontece uma semana após o anúncio de desistência do governador paranaense, Ratinho Junior, e a despeito da tentativa de Eduardo Leite, governador gaúcho, de se manter como candidato.
Em postagem nas redes sociais ainda na manhã desta segunda, Leite fez questão de deixar claro que a decisão o desagradou. “Embora essa decisão desencante a mim e a tantos outros brasileiros, pela forma como insistem em fazer política no nosso País, eu não vou discutir essa decisão”, afirmou.
Na publicação, Leite disse que entende que a escolha do partido por Caiado pode fortalecer a manutenção do que chamou de “polarização radicalizada”.
“Existe, sim, no Brasil, um desejo forte, talvez ainda silencioso, mas muito real, por mais equilíbrio, mais sensatez, mais respeito. Um desejo por uma política que não precisa gritar para ser ouvida”, prosseguiu.
Caiado entra na disputa com a tarefa de ampliar o alcance de uma candidatura que, até o momento, aparece com baixo desempenho nas pesquisas de intenção de voto. Levantamentos recentes indicam que o governador tem presença limitada no eleitorado e desempenho inferior ao dos principais concorrentes.
Internamente, o PSD enfrenta dificuldades para consolidar apoio em torno do nome escolhido. Diretórios relevantes, sobretudo no Nordeste, mantêm alinhamento com o governo Lula, o que impõe obstáculos à construção de uma candidatura nacional coesa.
Além disso, o perfil político de Caiado – mais identificado com a direita – cria um desafio adicional para o partido, que vinha tentando se apresentar como uma alternativa de centro. Na prática, o governador tende a disputar eleitores no mesmo campo de Flávio Bolsonaro, reduzindo o espaço para crescimento fora desse segmento.
Apesar das limitações, a estratégia do PSD passa pela formação de alianças com partidos do Centrão, como PP e União Brasil, na tentativa de fortalecer a candidatura e ampliar sua capilaridade eleitoral. A definição de um vice, ainda em discussão, é parte central desse movimento.
Esta será a segunda vez que Caiado disputa a Presidência da República. Em 1989, na primeira eleição após a redemocratização, terminou em décimo lugar no pleito vencido por Fernando Collor. Com trajetória política associada à direita, o governador construiu sua base de apoio no agronegócio, especialmente em Goiás. À época, foi candidato pela União Democrática Ruralista (UDR), entidade historicamente ligada ao setor. Atualmente, mantém forte interlocução com produtores rurais e é identificado como um dos principais representantes políticos desse segmento.
Aos 76 anos, o ainda governador de Goiás teve sua gestão marcada por uma política de fortalecimento das forças de segurança do estado, o que levou as polícias a se tornarem mais truculentas e a adotarem uma linha mais dura. O chefe do Executivo estadual também assinou um termo com o governo dos Estados Unidos que permite que os estrangeiros explorem terras raras na região. O acordo não está em conformidade com o governo federal.
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