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Nariz com IA pode virar novo sensor da casa e da saúde?

A inteligência artificial já escreve, resume, traduz, reconhece voz e interpreta imagens. Agora, uma frente de pesquisa tenta levá-la a um terreno ainda mais difícil: o olfato. Saber o que está no ar de uma casa, escola, escritório ou hospital pode influenciar conforto, manutenção, segurança […]

Nariz com IA pode virar novo sensor da casa e da saúde?
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A inteligência artificial já escreve, resume, traduz, reconhece voz e interpreta imagens. Agora, uma frente de pesquisa tenta levá-la a um terreno ainda mais difícil: o olfato. Saber o que está no ar de uma casa, escola, escritório ou hospital pode influenciar conforto, manutenção, segurança e saúde. E é justamente nessa direção que avança o trabalho de Haritosh Patel, pesquisador ligado a Harvard e ao Wyss Institute.

A proposta não é criar apenas um sensor mais sensível. O objetivo é construir um nariz eletrônico bioinspirado, ou seja, um sistema capaz de copiar princípios da natureza para sentir odores complexos, interpretar compostos voláteis e transformar cheiro em dado útil.

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Como esse nariz com IA tenta imitar os cães

Um dos pontos centrais da pesquisa está na comparação com os cães. Segundo o Wyss Institute, Patel trabalha em um sensor inspirado no modo como esses animais farejam. O detalhe importa porque cães não leem o ambiente com uma única aspirada. Eles repetem o movimento, controlam a entrada e a saída do ar e criam um padrão mais rico de contato entre moléculas e receptores. O grupo tenta levar essa lógica para a engenharia com sensores que “respiram”, usando pequenos ventiladores para puxar e expulsar ar em ciclos.

Isso ajuda na captura e na qualidade da informação. O sistema capta curvas, variações e oscilações. Depois, entram os modelos de machine learning, que analisam esses sinais variáveis para reconhecer impressões digitais químicas. Em termos simples, a máquina deixa de só notar que há algo no ar e começa a tentar distinguir o que é esse algo, em que padrão aparece e como se mistura a outros compostos.

Sua casa tem cheiro de quê?

Toda casa é um universo olfativo. E tem diversos componentes químicos que espalham informações pelo ar. Um nariz com IA pode resolver muitos problemas. O uso mais imediato está na qualidade do ar em ambientes fechados. A maior parte dos poluentes do ar interno vem de fontes dentro das próprias residências. São produtos de limpeza, tintas, materiais de construção, mofo e compostos orgânicos voláteis. A agência também destaca que passamos cerca de 90% do tempo em ambientes internos e que, em alguns casos, os níveis de certos poluentes podem ser de duas a cinco vezes maiores que os do lado de fora, chegando ocasionalmente a mais de 100 vezes.

É aí que o nariz com IA ganha valor doméstico. Um sensor desse tipo pode ajudar a perceber mofo escondido, emissão de móveis e tintas, falhas de ventilação ou degradação de materiais antes que o problema fique óbvio. A ideia descrita por Patel é um sistema que informe, em tempo real, o que está circulando no ambiente e permita ação rápida, seja abrir janelas, rever a climatização, localizar a fonte do problema ou ajustar equipamentos automáticos.

O que empresas e hospitais podem ganhar

Fora de casa, a aplicação pode ser ainda mais ampla. Em prédios corporativos, hospitais, indústrias e operações de facilities, sensores desse tipo podem reforçar manutenção preditiva, resposta a contaminantes e controle mais fino da ventilação. O Wyss cita a possibilidade de integrar a leitura dos sensores a sistemas de HVAC (Heating, Ventilation and Air Conditioning”, que em português corresponde a Aquecimento, Ventilação e Ar-Condicionado (AVAC) para que a própria infraestrutura do edifício reaja ao risco detectado.

Existem usos em saúde que vão desde a utilização para mapear o hálito de pessoas e animais, o que ajudaria a detectar doenças. Nesse campo, mas agora aplicado a consumo, o nariz com IA poderia ajudar a detectar a presença de componentes químicos em embalagens a serem envasadas, evitando a contaminação. E, em última instância, com o sistema bem popularizado, quem sabe ele não oriente aquele seu amigo que usa perfume em excesso ou evite a situação em que o prato que você cozinhou precise de um pouco mais de, digamos, cheiro verde?

Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec

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