Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Ana Cacimba canta a religiosidade afro-brasileira e se contrapõe à intolerância

A cantora e compositora lança em abril seu quarto álbum, ‘Luminosa – Ato 2: Sol’

Ana Cacimba canta a religiosidade afro-brasileira e se contrapõe à intolerância
Ana Cacimba canta a religiosidade afro-brasileira e se contrapõe à intolerância
Foto: Flora Negri
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Filha de quilombola, a cantora e compositora Ana Cacimba lança em abril seu quarto álbum, Luminosa – Ato 2: Sol, sucessor de Luminosa – Ato 1: Lua, apresentado no fim de 2025 —ambos pela Universal.

Segundo Ana Cacimba, cujo trabalho se pauta pela ancestralidade e pela religiosidade, os dois discos se complementam e podem ser encarados como um projeto só.

Em Luminosa – Ato 1: Lua, por exemplo, ela oferece cantos, cantigas e pontos tradicionais de umbanda e candomblé. Com Luminosa – Ato 2: Sol, ela explora mais o lado profano, com músicas de amor, relacionamento e vivência.

“Levar a religiosidade para a música é bastante difícil. Já vivemos muitos momentos difíceis com a intolerância. Agora, é descarado esse racismo religioso. Sofro o tempo inteiro nas redes sociais”, afirmou, em entrevista a CartaCapital.

A ótima cantora Ana Cacimba, porém, segue em frente, com resiliência. Sua música é um diálogo potente com a afro-brasilidade, e ela diz produzir Macumba Popular Brasileira. “A Música Popular Brasileira sempre teve essa religiosidade. Isso foi se perdendo e, aos poucos, ficou mais forte a questão da intolerância.”

Ela recorda que nos anos 1990 havia música afro-religiosa até em abertura de novela, mas com o tempo o racismo religioso ganhou corpo. “Macumba Popular Brasileira é para mostrar que isso é arte. Existe cultural no sagrado.”

A religiosidade de Ana Cacimba sempre esteve presente em sua vida. Sua mãe e sua avó viveram no Quilombo Caititu do Meio, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, mas se mudaram para Diadema, no ABC paulista, em busca de uma vida melhor. 

A cantora produz, vende e toca asalato, um instrumento de percussão do oeste da África que incorporou ao seu trabalho. Ela o explora o como um elemento ritualístico no universo feminino africano. 

Os outros trabalhos de Ana Cacimba são o EP Cura (2021) e os álbuns Azeviche (2022) e Mergulho (2023).

Assista à entrevista:

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