Do Micro Ao Macro
Empresas perdem até 40% das vendas no WhatsApp e Instagram por falhas na gestão do atendimento
Uso intensivo dos aplicativos expõe gargalos na gestão comercial das PMEs e compromete a conversão de oportunidades em receita
O WhatsApp virou o principal canal de vendas do Brasil sem nunca ter sido pensado como uma ferramenta de gestão. E as empresas estão pagando um preço alto por isso.
Dados da DataCrazy, empresa brasileira de CRM, mostram que pequenas e médias empresas perdem entre 20% e 40% das oportunidades comerciais geradas pelo WhatsApp e pelo Instagram por falhas no atendimento, falta de follow-up e ausência de processos estruturados.
O levantamento, feito a partir da base de clientes no Brasil, revela que 95% das PMEs usam o WhatsApp como canal principal de vendas e relacionamento.
PMEs vendem pelo WhatsApp, mas não gerenciam
O volume de negócios que passa pelo aplicativo é expressivo. A plataforma registra, em média, mais de 6,7 milhões de mensagens trocadas por dia e cerca de 11 mil negócios fechados diariamente entre empresas e clientes.
O problema não está na geração de oportunidades. Está no que acontece depois.
Leads esquecidos, tempo de resposta elevado, conversas descentralizadas e vendedores sobrecarregados formam o conjunto de falhas que compromete a conversão. Sem controle de pipeline ou organização do funil de vendas, boa parte das negociações simplesmente desaparece nas abas do aplicativo.
“O maior problema de vender pelo WhatsApp hoje é que ele virou o principal canal de vendas sem nunca ter sido pensado como um canal de gestão. As empresas estão operando milhões em cima de conversas soltas”, afirma Andreone Ribeiro, CEO da DataCrazy.
O gargalo está na gestão, não na demanda
O perfil mais afetado é o de empresas de serviços que operam exclusivamente pelo WhatsApp com alto volume de contatos, mas sem estrutura para acompanhar cada negociação.
A falta de visibilidade sobre o andamento das conversas impede que os times comerciais identifiquem onde as oportunidades estão sendo perdidas, o que torna o problema difícil de corrigir sem uma mudança de processo.
Quando as empresas passam a organizar o pipeline, automatizar follow-ups e padronizar o atendimento, os resultados aparecem em conversão, eficiência e previsibilidade de receita, segundo a DataCrazy.
WhatsApp cresceu, gestão comercial não acompanhou
O uso do WhatsApp e do Instagram como canais de venda se intensificou nos últimos anos, mas a profissionalização da gestão dentro desses ambientes não seguiu o mesmo ritmo.
Para Ribeiro, o caminho passa por tratar o WhatsApp com a mesma seriedade de qualquer outro canal comercial. Enquanto isso não acontece, as conversas continuam se acumulando, e as vendas, escapando.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



