Mundo
Conselho de Direitos Humanos da ONU aprova resolução da Rússia pela 1ª vez desde 2022
O texto instava os países a celebrar devidamente o 60º aniversário da adoção dos acordos internacionais de direitos humanos
A Rússia obteve nesta sexta-feira 27 a primeira aprovação de uma resolução no Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra desde que invadiu a Ucrânia há quatro anos, o que, segundo observadores, reflete a vontade de Moscou de se reincorporar ao cenário internacional.
O texto apresentado pela Rússia simplesmente instava os países a celebrar devidamente o 60º aniversário da adoção dos acordos internacionais de direitos humanos.
A resolução foi aprovada com os votos favoráveis de 26 dos 47 membros do conselho e nenhum contrário, mas com a abstenção de 21 países, principalmente ocidentais.
Esta foi a primeira vez que o conselho aprovou uma resolução redigida pela Rússia depois que o País foi suspenso por invadir a Ucrânia em fevereiro de 2022.
Alguns observadores denunciaram que a Rússia tinha apresentado um texto aparentemente trivial para impedir que os países votassem contra.
Vários diplomatas ocidentais tomaram a palavra para reiterar seu pleno apoio aos acordos internacionais de direitos humanos, mas disseram que não podiam votar a favor dessa resolução.
“Não é apropriado que a Rússia apresente este texto perante o Conselho quando viola de maneira flagrante muitos dos princípios e valores presentes nesses tratados”, declarou Eleanor Sanders, embaixadora britânica para os direitos humanos.
Em nome da União Europeia, a embaixadora cipriota Olympia Neocleous destacou que os investigadores designados pelo conselho determinaram que as autoridades russas haviam cometido crimes de lesa-humanidade e crimes de guerra na Ucrânia.
A Rússia, por sua vez, afirmou ter assegurado dezenas de copatrocinadores para sua iniciativa. Muitos países tomaram a palavra para repreender os que se negavam a respaldar a resolução simplesmente porque ela havia sido redigida pela Rússia.
O representante de China condenou a crescente “politização e polarização” no conselho e sustentou que “os dois pesos e duas medidas estão se tornando cada vez mais desenfreados”.
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