ToqueTec
Relógio de luxo com IA: por que o pulso virou nova vitrine tech?
Durante anos, o relógio inteligente foi quase sinônimo de Apple, Samsung e Garmin. O produto estava centrado nos sensores, nas notificações e no treino. O relógio conectado era, antes de tudo, uma ferramenta. O mercado de luxo resolveu mudar essa lógica. E levar para o […]
Durante anos, o relógio inteligente foi quase sinônimo de Apple, Samsung e Garmin. O produto estava centrado nos sensores, nas notificações e no treino. O relógio conectado era, antes de tudo, uma ferramenta. O mercado de luxo resolveu mudar essa lógica. E levar para o segmento a percepção de marcas construídas em muitas décadas.
O ToqueTec preparou um recorte desse movimento. No segmento premium, a tecnologia deixou de ser vendida só como utilidade e passou a aparecer como parte da identidade da marca. Entram em cena algoritmos de personalização, plataformas proprietárias, leitura de dados do corpo, mostradores customizáveis e softwares criados para combinar com a estética de cada grife. Nem todos esses relógios usam IA no sentido mais atual do termo. Mas quase todos tentam transformar software, conectividade e análise de dados em linguagem de exclusividade.
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Quando o smartwatch vira alta relojoaria
A TAG Heuer é uma das que chamam mais atenção dessa virada. A linha Connected, hoje associada ao Calibre E5, une Wear OS, GPS, monitor cardíaco, apps próprios para corrida, ciclismo, fitness e golfe, além de forte personalização visual. A marca suíça tenta fazer com que a experiência digital não pareça um apêndice técnico, mas parte da tradição relojoeira que carrega desde 1860. O preço para a coleção vai de cerca de 8,3 mil reais a 13,3 mil reais. O valor não compra só sensores. Compra também a narrativa de um relógio esportivo de luxo que quer se diferenciar do eletrônico comum.
A Hublot entrou nessa disputa com a família Big Bang e. O apelo da linha está na combinação de design agressivo e a tecnologia embarcada com Wear OS by Google, acesso a aplicativos, pagamentos e integração digital. É uma distinção importante. No caso da Hublot, a inteligência aparece mais como conectividade do que como aconselhamento algorítmico. As versões da linha aparecem na faixa de 18 mil a 29 mil reais.
Moda, viagem e software com assinatura de marca
A Louis Vuitton preferiu outro caminho. O Tambour Horizon Light Up aparece no site brasileiro da marca R$ 21,1 mil e aposta menos em performance esportiva e mais em experiência, identidade visual e personalização. O modelo usa sistema operacional próprio, traz 24 LEDs sob o vidro de safira e reúne funções como agenda, clima, índice de qualidade do ar, controle do telefone, chamadas, música e a função My Travel, voltada a viagens. É um wearable que se comporta como extensão do universo estético da maison. Antes de ser relógio de academia, ele quer ser Louis Vuitton no pulso.
A Montblanc, por sua vez, ocupa um espaço mais discreto. O Summit 3 combina caixa de titânio, visual clássico, Wear OS 3, monitoramento de saúde e pagamentos. O preço fica ao redor de 5,9 mil reais, feita a conversão da moeda local.. Mas o preço pode variar dependendo do país e do local de compra. O ponto central, porém, não muda: a Montblanc aposta num relógio que parece clássico à distância e revela sua camada digital só quando o usuário decide acioná-la.
Do instrumento técnico à promessa de IA de saúde
A Breitling mostra que luxo conectado nem sempre significa loja de apps. O Exospace B55 é um híbrido tecnológico com forte apelo aeronáutico. A marca destaca calibre exclusivo, cronógrafo de voo, cronógrafo de regata e funções desenhadas para pilotos e velejadores. No site oficial em português, o modelo aparece por 52,3 mil reais. É menos um relógio para responder mensagens e mais um instrumento técnico especializado, com conectividade ao smartphone e software proprietário voltado a um estilo de vida muito específico.
Já a Vertu empurra a conversa para o terreno mais explícito da IA. O Grand Watch é vendido como relógio de luxo com AI Health Guard, uma camada de monitoramento biológico com foco em frequência cardíaca, oxigenação e leitura algorítmica de sinais corporais. Os preços variam de R$ 16,6 mil a R$ 105,6 mil. A tecnologia não aparece como detalhe. Ela é parte da exclusividade proposta pela marca: o luxo não está só no design e na qualidade dos componentes, mas na garantia de que o relógio entende o corpo do dono.
O que muda em relação ao smartwatch comum
O diferencial desses modelos não está apenas no titânio, na safira, na cerâmica ou no carbono. Está na tentativa de converter tecnologia em símbolo de status. No smartwatch tradicional, a pergunta costuma ser objetiva: quantos sensores há, quanto dura a bateria, quais apps rodam. No relógio de luxo conectado, a lógica muda. O desafio passa a ser incorporar software sem apagar a herança da marca.
Por isso, as estratégias são diferentes. A TAG Heuer embala desempenho esportivo como relojoaria suíça. A Louis Vuitton trata o software como extensão do universo fashion e de viagem. A Montblanc busca discrição. A Breitling transforma conectividade em instrumento técnico. A Vertu vende monitoramento algorítmico como sinal máximo de exclusividade. O resultado é uma categoria em que o relógio inteligente já não quer parecer só um eletrônico caro. Ele quer ser joia, plataforma digital e marcador de estilo ao mesmo tempo.
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec
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