Do Micro Ao Macro
Gastos dos brasileiros no e-commerce vão dobrar em dez anos, aponta pesquisa
Levantamento do EBANX com o World Data Lab traça o perfil do consumidor online no Brasil e aponta quem vai liderar o crescimento digital na próxima década
O valor que os brasileiros gastam no e-commerce deve dobrar até 2036. A projeção é do EBANX, empresa de pagamentos para mercados emergentes, em parceria com o World Data Lab, e indica crescimento de 104% no volume anual de compras online no país, bem acima do aumento de 66% previsto para os gastos totais, incluindo o consumo físico.
Os dados fazem parte do relatório Beyond Borders 2026, publicado nesta semana, que analisa o comportamento do consumidor digital em países emergentes da América Latina, África e Ásia.
Brasil já supera EUA e Europa na fatia digital
Atualmente, os brasileiros destinam 11,5% de seus gastos ao e-commerce. O índice supera o dos Estados Unidos (9,1%), Holanda (9%), França (6,9%), Alemanha (6,4%) e Itália (5,4%). Em dez anos, essa fatia deve chegar a 15,2% no Brasil.
Segundo o estudo, o acesso à internet pelo celular, a densidade dos centros urbanos e os avanços na inclusão financeira nos últimos anos explicam parte desse ritmo acelerado em relação a países mais desenvolvidos.
Quem mais compra online no Brasil
A pesquisa detalha o perfil do consumidor brasileiro no e-commerce. A classe média baixa lidera a participação nos gastos totais realizados pela internet, respondendo por 34% do volume. A classe média aparece em seguida, com 25%, e as classes alta e média alta somam 25% e 12%, respectivamente.
Por faixa etária, o grupo de 45 a 65 anos é o mais representativo, com 29% dos gastos online. O grupo de 30 a 45 anos vem logo atrás, com 25%, seguido pelos jovens de 15 a 30 anos, com 19%.
A maior novidade fica por conta dos mais velhos. A faixa de 65 anos ou mais, hoje responsável por 14% dos gastos no e-commerce, deve chegar a 19% em 2036, o crescimento relativo mais alto entre todos os grupos etários.
“Para merchants do e-commerce global, isso significa que, para vender para consumidores brasileiros, é preciso montar estratégias que alcancem, ao mesmo tempo, uma população madura e com experiência digital, e uma base mais jovem, que ainda está começando a definir hábitos de consumo”, afirma Estelita Hass, líder de Inteligência de Mercado do EBANX.
Pix domina os pagamentos digitais no e-commerce
Outra diferença do Brasil em relação aos mercados mais desenvolvidos está nos meios de pagamento. Enquanto nos Estados Unidos e na Inglaterra o cartão de crédito domina as transações, no Brasil o consumidor digital divide a preferência entre diferentes opções.
Dados da instituição Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI), incluídos no relatório, mostram que o Pix já responde por 45% do comércio digital no país. Os cartões de crédito vêm em segundo lugar, com 40%, seguidos pelas carteiras digitais (9%) e pelo boleto bancário (6%).
“Para alcançar os consumidores brasileiros, e em especial a nova geração deles, é preciso diversificar a oferta de meios de pagamento”, diz Hass.
e-commerce terá 21,8 milhões de novos consumidores até 2036
O estudo também projeta a expansão da chamada classe consumidora no Brasil, formada por pessoas com gasto igual ou superior a US$ 13 por dia, com base no método de Paridade do Poder de Compra (PPP).
Até 2036, o Brasil deve incorporar 21,8 milhões de pessoas a esse grupo, número superior ao da Europa e América do Norte somadas, que devem adicionar 19,7 milhões no mesmo período. A classe consumidora brasileira deve ultrapassar 174 milhões de pessoas, crescimento de 14%, contra 2% projetados para Europa, Canadá e Estados Unidos.
A maioria dos novos consumidores brasileiros será formada por mulheres, que representarão 53% das incorporações ao grupo. O crescimento mais expressivo virá dos brasileiros com mais de 65 anos, com alta de 46%, seguidos pelo grupo de 45 a 65 anos, com 23%.
“Os dados mostram que o consumo online em economias emergentes funciona de maneira estruturalmente diferente em relação aos mercados desenvolvidos, o que impacta diretamente a estratégia de grandes empresas do e-commerce que desejam acessar os novos consumidores digitais”, afirma Hass. “Não basta entender o potencial de mercado de cada país, é preciso compreender os hábitos de consumo e pagamento dos consumidores.”
Juntos, os países emergentes devem acrescentar mais de 1 bilhão de pessoas à classe consumidora até 2036. “A nova geração de consumidores virá de países do Sul Global, e a corrida para se conectar a eles já começou”, conclui Estelita Hass.
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