Economia

Governistas na CPMI do INSS elencam 8 núcleos responsáveis pelas fraudes

Relatório alternativo trará 170 indiciados, com foco no ‘Careca do INSS’ e em Onyx Lorenzoni

Governistas na CPMI do INSS elencam 8 núcleos responsáveis pelas fraudes
Governistas na CPMI do INSS elencam 8 núcleos responsáveis pelas fraudes
Os deputados Alencar Santana (PT-SP), Rogério Correia (PT-MG) e Paulo Pimenta (PT-RS) na CPMI do INSS. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
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A base governista na CPMI do INSS apresentará, nesta sexta-feira 27, um relatório alternativo que aponta a existência de uma estrutura organizada em oito núcleos para operacionalizar fraudes em descontos associativos sobre aposentadorias e pensões. O documento, que deve embasar a disputa pelo parecer final da comissão, propõe cerca de 170 indiciamentos e atribui a responsabilidade pelo avanço do esquema ao governo de Jair Bolsonaro (PL).

A apresentação ocorre no mesmo dia em que o relator oficial da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), faz a leitura de seu parecer. Governistas articulam maioria para rejeitar o texto do relator e aprovar a versão alternativa antes do encerramento dos trabalhos, previsto para 28 de março após decisão do Supremo Tribunal Federal que barrou a prorrogação da CPMI.

O relatório elaborado por aliados do presidente Lula (PT) se sustenta na estratégia de afastar a responsabilidade do atual governo e concentrar o foco em decisões administrativas e atores ligados ao governo anterior.

Oito núcleos 

Segundo o texto, o esquema não ocorreu de forma isolada, mas a partir de uma organização com divisão de tarefas, fluxo financeiro estruturado e atuação coordenada entre operadores privados e agentes públicos.

No centro da engrenagem está o núcleo liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador  responsável por articular os demais grupos, controlar recursos e manter conexões com servidores e intermediários.

O “Careca do INSS”. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Ao redor desse núcleo principal, o relatório descreve outros sete braços de atuação:

  • Núcleo Conafer: ligado à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares, sob liderança de Carlos Roberto Ferreira Lopes, responsável pela operacionalização em larga escala dos descontos;
  • Núcleo CBPA: comandado por Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, funcionaria como estrutura de arrecadação e distribuição de recursos, com acordos firmados mesmo sem base efetiva de associados;
  • Núcleo Maurício Camisotti: voltado à articulação empresarial e financeira em São Paulo, reunindo entidades envolvidas nas irregularidades;
  • Núcleo “Golden Boys”: formado por Américo Monte Jr., Anderson Cordeiro, Felipe Macedo Gomes e Igor Delecrode, grupo que teria impulsionado a expansão do esquema e mantido padrão elevado de gastos financiados pelos descontos indevidos;
  • Núcleo Cecília Mota: com atuação em Fortaleza, estruturado a partir de empresas interligadas e movimentações financeiras consideradas suspeitas;
  • Núcleo Alexsandro Prado (“Lequinho”): baseado em Sergipe, operava por meio de entidades de fachada e uso de empresas laranjas;
  • Núcleo Domingos Sávio: liderado por Domingos Sávio de Castro, atuava como operador financeiro e mantinha participação em empresas de call center usadas para captar dados de aposentados e viabilizar autorizações fraudulentas.

Principais implicados

Além desses operadores, o relatório menciona a atuação de servidores e ex-integrantes do governo Bolsonaro, incluindo figuras que ocuparam cargos no INSS e no Ministério do Trabalho e da Previdência. Entre os citados está o ex-ministro Onyx Lorenzoni, associado a episódios envolvendo doações eleitorais e relações com entidades investigadas.

O documento também aponta falhas na fiscalização e destaca que denúncias apresentadas ainda em 2020 não teriam sido devidamente enfrentadas, permitindo a continuidade e a ampliação do esquema nos anos seguintes.

Foto: Reprodução

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