Mundo
Milhares de estudantes no Chile protestam contra Kast por cortes na educação
O presidente, de extrema-direita, planeja cortar o gasto público em cerca de 6 bilhões de dólares em 18 meses, mas opositores duvidam que ele consiga sem afetar benefícios sociais
Milhares de estudantes chilenos protestaram nesta quinta-feira 25 em Santiago contra o governo de extrema-direita de José Antonio Kast, que avalia um ajuste na gratuidade das universidades após reduzir o orçamento do Ministério da Educação, constatou a AFP.
Os manifestantes, em sua maioria estudantes secundaristas vestidos com seus tradicionais uniformes escolares, marcharam por vários quarteirões da Avenida Alameda, no centro da capital. Durante o trajeto, houve alguns confrontos com a polícia, que os dispersou com jatos d’água.
Assim que assumiu o governo, Kast ordenou um corte de 3% nos gastos correntes dos ministérios, sem exceção para o da Educação, para cumprir sua anunciada política de austeridade.
Seu governo também avalia estabelecer um limite de acesso à educação universitária gratuita para novos estudantes com mais de 30 anos. E os manifestantes temem que novos ajustes sejam propostos.
“Queremos que respeitem os direitos sociais que conquistamos ao longo de todos esses anos”, disse à AFP Benjamín Traslaviña, estudante universitário de 22 anos, durante a manifestação.
Kast tem como meta reduzir o gasto público em cerca de 6 bilhões de dólares (31,4 bilhões de reais) nos próximos 18 meses, mas seus opositores duvidam que ele consiga sem afetar benefícios sociais.
“Não merecemos este Kastigo”, dizia em alguns cartazes erguidos pelos manifestantes, em um trocadilho com o sobrenome do presidente.
“Minha mãe vai fazer 50 anos e sempre quis estudar. Nunca conseguiu porque teve filhos e não pôde se financiar (…). A gente deveria ter essa oportunidade”, afirmou Sofía Díaz, universitária de 18 anos.
O governo de Kast já deu sinais de que o ajuste fiscal é sério. A partir desta quinta-feira, a gasolina subiu 30% e o diesel 60%, após o anúncio de um forte corte no subsídio estatal que evitava grandes aumentos devido à guerra no Oriente Médio.
A marcha passou em frente ao palácio presidencial de Palácio de La Moneda enquanto o governante promulgava sua primeira lei de “Emergência Energética” para mitigar os efeitos da alta dos preços.
A medida inclui um bônus de 110 dólares (575 reais) para taxistas e motoristas de transporte escolar.
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