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Igreja Católica portuguesa indeniza 57 vítimas de abuso sexual
A decisão ocorre três anos após a publicação de um relatório contundente sobre a dimensão da pedofilia na instituição
A Igreja Católica portuguesa decidiu indenizar 57 vítimas de abuso sexual com uma soma total de 1,61 milhão de euros (9,77 milhões de reais), anunciou nesta quinta-feira 26, três anos após a publicação de um relatório contundente sobre a dimensão da pedofilia na instituição.
Após receber 95 pedidos de compensação financeira, a Igreja rejeitou 28 deles, embora tenha observado que ainda poderia aprovar outros dez, explicou a Conferência Episcopal Portuguesa em um comunicado.
Os valores concedidos às 57 vítimas de abuso sexual cometido contra “menores ou adultos vulneráveis” e cujos casos foram agora encerrados variam de 9.000 a 45.000 euros (54.359 a 271.798 reais).
“Sabemos que a concessão de compensação financeira não apaga o que aconteceu, nem elimina as consequências do abuso na vida daqueles que o sofreram”, explicou a Conferência Episcopal.
“Com este gesto concreto, a Igreja em Portugal busca reconhecer o sofrimento e a dignidade de cada pessoa que foi vítima de tal abuso, empenhando-se em oferecer toda a reparação possível pelos danos que suportaram”, acrescentou.
Um relatório — encomendado pelos bispos, mas elaborado por uma comissão independente — concluiu, em fevereiro de 2023, que pelo menos 4.815 menores haviam sido vítimas de abuso sexual no âmbito da Igreja Católica portuguesa desde 1950.
Após ouvir mais de 500 depoimentos ao longo de um ano, o grupo de especialistas determinou também que tais abusos haviam sido acobertados pela hierarquia eclesiástica de maneira “sistêmica”.
Os bispos portugueses pediram, posteriormente, perdão às vítimas, e o Papa Francisco encontrou-se com 13 delas durante sua visita a Portugal em agosto de 2023, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa.
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