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O que pode explicar o avanço numérico de Flávio contra Lula no 2º turno, segundo analista da Atlas

O novo levantamento AtlasIntel ainda registra um empate técnico, mas o conjunto das últimas rodadas é negativo para o presidente

O que pode explicar o avanço numérico de Flávio contra Lula no 2º turno, segundo analista da Atlas
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O presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do STF e do TSE. Foto: Evaristo Sá/AFP
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Eleições 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente do presidente Lula (PT) na projeção de um eventual segundo turno da eleição presidencial, de acordo com uma pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira 25. Há dois meses, porém, o petista tinha quase cinco pontos de vantagem sobre o filho “zero um” de Jair Bolsonaro (PL).

A virada ocorre após um período marcado, sobretudo, por uma sequência de más notícias e focos de desgaste para o governo, avalia Yuri Sanches, chefe de Risco Político e Análise Política do AtlasIntel.

No levantamento de janeiro, Lula vencia Flávio na simulação de segundo turno por 49,2% a 44,9%. Em fevereiro, uma mudança: o pré-candidato do PL marcava 46,3%, ante 46,2% do presidente. Era praticamente um empate absoluto. Na nova rodada, Flávio desponta com 47,6%, enquanto Lula registra 46,6%.

Embora persista uma igualdade técnica, considerando a margem de erro de um ponto percentual, o filme das três sondagens é ruim para Lula.

Segundo Sanches, a candidatura de Flávio se consolidou, aproveitando-se do teto do bolsonarismo, que continua a ser expressivo. Pesou a favor do senador também um fluxo de eventos desfavoráveis ao governo federal, como a tentativa da oposição de ligar Lulinha ao escândalo do INSS, o avanço do Caso Master e a crise de imagem do Supremo Tribunal Federal.

INSS e Master são mais difusos na percepção da sociedade, por se tratarem de escândalos complexos, mas mexem com o humor do eleitor e podem impactar negativamente a avaliação do governo e, por consequência, as intenções de voto do presidente.

Supostos casos de corrupção, resume Yuri Sanches, costumam atingir o incumbente — seja ele quem for —, uma vez que alimentam a desconfiança nas instituições em um país no qual esse tema já é particularmente delicado.

O analista político do AtlasIntel destaca também a percepção de parte do eleitorado sobre um vínculo entre Lula e o STF, devido ao fato de que a Corte adotou diversas medidas contra o principal grupo de oposição ao governo. A prisão de Jair Bolsonaro e de integrantes de seu governo, e as centenas de condenações de participantes do 8 de Janeiro de 2023 são os principais exemplos.

“Se tem uma crise de imagem, especialmente com ministros importantes como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, pode haver — consciente ou inconscientemente — uma ligação na cabeça do eleitorado que gera esse mau humor, essa falta de confiança.”

Ao mesmo tempo, acrescenta Sanches, há um fator econômico que a oposição — ainda dominante nas redes sociais — explora: as incertezas decorrentes da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. O aumento dos combustíveis é uma das expressões mais evidentes desse movimento, que não à toa acendeu a luz amarela no Palácio do Planalto.

Gasolina e diesel mais caros provocam, por óbvio, o temor de descontrole da inflação, algo que até o início da guerra não era um tema candente na corrida presidencial. Lula não tem culpa pelas decisões de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, mas pode sofrer eleitoralmente com as consequências globais da agressão ao Irã e da reação do país persa.

“O domínio dessa narrativa no campo digital também é importante, ao menos para criar um clima de crítica ao governo em relação aos aumentos e gerar esse cenário um pouco mais pessimista”, explica Yuri Sanches.

Na pesquisa publicada no fim de fevereiro, relembra, havia também o impacto negativo sobre parte do eleitorado do desfile da Acadêmicos de Niterói, no Carnaval do Rio de Janeiro. Ironizar a “família em conserva” pode não cair bem para uma parcela dos eleitores de Lula — católicos, por exemplo.

As próximas semanas, quando o presidente espera ver os primeiros efeitos da reação do governo federal aos reajustes nos combustíveis, serão decisivas para indicar se a liderança numérica de Flávio é um voo de galinha ou uma tendência. A nova pesquisa AtlasIntel sairá no fim de abril.

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