Mundo
Colômbia quer lançar coalizão pelo fim dos combustíveis fósseis em meio à crise no Oriente Médio
Segundo a ministra do meio ambiente, 45 países já confirmaram presença na conferência que o país sediará em abril
A conferência internacional que a Colômbia sediará em abril deve servir para lançar uma coalizão de países determinados a acabar com os combustíveis fósseis, em um momento de “máxima crise” energética devido à guerra no Oriente Médio, disse nesta terça-feira 24 a ministra do Meio Ambiente colombiana.
Colômbia e Países Baixos convocaram essa conferência na cidade caribenha de Santa Marta durante a última COP30 sobre mudança climática, realizada em Belém, com o objetivo de reunir países dispostos a iniciar um processo para transformar suas economias e deixar para trás o petróleo e o gás, principais responsáveis pelo aquecimento global.
Apoiados por cerca de 20 países, buscaram contornar a falta de consenso entre as quase 200 nações participantes da conferência da ONU para iniciar essa transição, prometida em 2023 na COP28 de Dubai.
A um mês do encontro, marcado para os dias 28 e 29 de abril, a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez, disse que 45 países confirmaram até agora sua presença, incluindo grandes produtores de hidrocarbonetos da Europa e da América do Norte, embora sem citá-los nominalmente.
O objetivo da Colômbia é contar com uma “coalizão daqueles que têm a vontade de eliminar os combustíveis fósseis” e que estão “prontos para a ação”, afirmou Vélez durante um encontro virtual com jornalistas organizado pela rede brasileira de ONGs Observatório do Clima.
Vélez destacou, em sua avaliação, a relevância da conferência de Santa Marta em um “momento de máxima crise” provocado pela guerra no Oriente Médio.
O conflito elevou os preços do petróleo, expôs a dependência de muitos países dos combustíveis fósseis e levanta temores de uma crise econômica de dimensão internacional.
O encontro abordará como superar a dependência econômica dos países produtores de hidrocarbonetos, como a própria Colômbia, a eliminação de subsídios à sua produção e o ajuste da dívida externa dos países do sul global para que possam financiar a substituição de sua matriz extrativa.
Vélez também disse que seu país espera contar com a presença do governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, que lidera a oposição ao desmonte das políticas climáticas impulsionadas por Donald Trump nos Estados Unidos.
“Newsom está tentando abrir espaço na agenda”, disse.
A conferência de Santa Marta é complementar ao processo que a presidência brasileira da COP30 iniciou no fim de 2025 em Belém do Pará para elaborar um roteiro internacional de saída dos combustíveis fósseis, a ser apresentado na próxima conferência climática da ONU, presidida pela Turquia.
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