Política
Quem é Ricardo Couto, que assume o governo do Rio após a renúncia de Castro
O presidente do TJ-RJ comandará o governo até a Assembleia Legislativa definir, via eleição indireta, o nome do novo governador
O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, o desembargador Ricardo Couto, assumiu, nesta terça-feira 24, interinamente, o governo do Rio de Janeiro, após a renúncia de Cláudio Castro (PL).
Pela Constituição Federal, podem suceder um governador, nesta ordem, o vice-governador, o presidente da Assembleia Legislativa e o Presidente do Tribunal de Justiça.
No caso específico do Rio, o vice-governador, Thiago Pampolha, que assumiu um cargo no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) saiu em 2025 e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, está licenciado do cargo.
Bacellar renovou o pedido de licença do mandato. Ele não exerce o cargo desde 10 de dezembro de 2025 após ser preso em operação da Polícia Federal. Ele é suspeito de vazar informações sigilosas sobre a investigação contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, acusado de intermediar compra e venda de armas para o Comando Vermelho (CV), principal facção criminosa do Rio de Janeiro.
Couto deve ficar à frente do governo até a Assembleia Legislativa definir, via eleição indireta, o nome do novo chefe do Palácio Guanabara. A eleição indireta será utilizada justamente pela dupla vacância do governo do estado. Pelas regras, a eleição indireta será realizada na Alerj no 30º dia após a vacância do cargo.
A Casa deverá convocar uma sessão extraordinária exclusiva para a votação, que será secreta, conforme decisão liminar do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). O eleito cumprirá o mandato-tampão até o fim de 2026.
Quem é Ricardo Couto?
Couto é juiz há mais de 30 anos. Ele já teve uma experiência à frente do governo, em janeiro, por uma semana, quando Cláudio Castro fez uma viagem ao exterior.
Couto se elegeu para a presidência do TJ em novembro de 2024, quando venceu a disputa com 116 votos contra o seu concorrente, o também desembargador Luiz Zveiter.
Na magistratura, foi juiz auxiliar da Corregedoria no período de 2000 a 2002. Em 2008 tomou posse como desembargador do TJ. Antes de assumir a presidência do tribunal foi presidente da 4ª Câmara de Direito Público e integrante da 7ª Câmara Cível.
Casado, pai de dois filhos, o novo governador é carioca, torcedor do Botafogo e iniciou a carreira na Defensoria Pública, em 1989, quando foi aprovado em primeiro lugar no concurso. Em 1992, passou em primeiro lugar para o concurso para juiz.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
O que resta para o TSE concluir julgamento que pode tornar Cláudio Castro inelegível
Por Vinícius Nunes
Cláudio Castro renuncia ao governo do RJ em meio a julgamento no TSE
Por Vinícius Nunes
Justiça do Rio inicia o julgamento de argentina acusada de racismo contra funcionários de bar
Por CartaCapital



