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A hora e a vez da América Latina: belo levanta possibilidade de dinheiro sem fronteiras
A América Latina vive um momento raro: deixou de ser apenas mercado emergente para se tornar referência. Na cultura, na música, na internet e, cada vez mais, na forma de lidar com dinheiro. Com o mundo olhando para o sul global, cresce também a necessidade […]
A América Latina vive um momento raro: deixou de ser apenas mercado emergente para se tornar referência. Na cultura, na música, na internet e, cada vez mais, na forma de lidar com dinheiro. Com o mundo olhando para o sul global, cresce também a necessidade de revisitar as próprias raízes e fortalecer as conexões regionais – movimento que ganha tração à medida que surgem facilitadores financeiros capazes de reduzir barreiras geográficas e históricas.
Esse movimento não vem de fora. Ele nasce da criatividade dos próprios latino-americanos, que há anos aprendem, na prática, a lidar com instabilidade, múltiplas moedas e limitações do sistema financeiro tradicional. Em um cenário onde o dinheiro nunca foi simples, surgiram soluções mais flexíveis, diretas e, sobretudo, mais alinhadas à vida real.
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A belo, criada em Buenos Aires em 2021 e agora em expansão no Brasil, é uma delas. Mais do que um produto, ela aparece como sintoma de uma mudança maior. Uma tentativa de fazer o dinheiro circular com a mesma facilidade que as pessoas já circulam.
A belo e a ideia de um dinheiro que não pesa
Mesmo em um mundo onde tudo acontece em tempo real, o dinheiro ainda parece operar em outra lógica. Uma lógica mais lenta, mais antiga. O problema é que o comportamento do usuário mudou, e rápido. Cada vez mais pessoas lidam com múltiplas moedas no dia a dia. E o sistema financeiro tradicional ainda não se ajustou completamente a essa nova realidade.
A proposta da belo parte de um princípio simples: reduzir o atrito ao máximo. Em vez de cobrar taxas explícitas de conversão, a empresa monetiza via spread (ou seja, a diferença entre o preço de compra e venda dos ativos), apresentado de forma transparente antes da operação. É uma mudança sutil, mas que altera a percepção do usuário.
“Priorizamos volume e retenção sobre margem por transação”, explica Edwin Rager, cofundador e Chief Strategy Officer da belo. Na prática, isso significa apostar em recorrência, e não em ganhos pontuais. A lógica se aproxima mais de produtos digitais do que de serviços financeiros tradicionais.
Outro ponto central é o rendimento automático do saldo. A ideia nasce de uma constatação comum na América Latina: dinheiro parado costuma perder valor. “A maioria das pessoas tem seu dinheiro parado em contas que não rendem nada”, diz o executivo.
A belo tenta inverter essa lógica sem exigir ação do usuário. O saldo continua disponível, mas passa a gerar retorno automaticamente. Tudo acontece dentro do mesmo ambiente, sem etapas adicionais.
“Ahora todos quieren ser latinos”
Se esse tipo de solução ganha força na região, não é por acaso. A América Latina sempre conviveu com limitações no acesso a serviços financeiros. Isso criou um ambiente onde as pessoas já aprenderam a buscar alternativas.
Mais de 200 milhões de pessoas estão fora ou à margem do sistema financeiro tradicional, segundo Rager. Ao mesmo tempo, a região apresenta alta adoção de fintechs e criptomoedas. Em muitos casos, não por tendência, mas por necessidade.
O Brasil, por exemplo, combina escala e comportamento digital avançado. O país movimenta centenas de bilhões de dólares por ano em criptoativos e tem forte adesão a soluções como o Pix, segundo dados institucionais da belo . Isso cria uma base pronta para novos modelos.
Nesse cenário, a América Latina deixa de ser apenas um mercado emergente. Ela passa a funcionar como um laboratório de inovação financeira. Um lugar onde problemas reais aceleram soluções práticas.
Quando o dinheiro vira interface
A transformação em curso vai além de novos produtos financeiros. Ela aponta para uma mudança mais profunda na forma como o dinheiro é percebido. Aos poucos, ele deixa de ser algo que exige gestão ativa.
Em vez disso, passa a funcionar como uma camada invisível. Pagar, converter e guardar valor se tornam partes de um mesmo fluxo. Sem interrupções, sem etapas desnecessárias. “Nosso sistema permite que o saldo trabalhe para o nosso usuário e gere benefícios de forma automática, dentro do mesmo app onde ele já opera, sem prazos fixos nem valores mínimos”, afirma Edwin.
A belo aposta nesse modelo ao integrar diferentes funções em uma única experiência. A ideia é que o usuário não precise pensar na complexidade por trás da operação. Ele apenas usa.
Isso aproxima o dinheiro da lógica dos aplicativos. Assim como a tecnologia que sustenta a internet desapareceu para o usuário, a infraestrutura financeira pode seguir o mesmo caminho. E isso muda tudo.
O usuário já é global, e não quer mais esperar
No fim, essa transformação começa no comportamento. Freelancers, criadores e trabalhadores remotos operam cada vez mais em escala internacional. Mesmo estando na América Latina, suas finanças já são globais.
O consumo também acompanha esse movimento. Assinaturas, serviços digitais e compras internacionais fazem parte da rotina. O dinheiro precisa acompanhar essa fluidez.
Segundo dados da belo, o Brasil exportou US$ 51,8 bilhões (R$ 271 bilhões) em serviços em 2025, refletindo esse novo perfil de usuário . Ainda assim, os pagamentos continuam enfrentando barreiras operacionais. É esse gap que novas soluções tentam resolver.
“A convergência de smartphones, pagamentos em tempo real e uma geração digital cria a janela perfeita”, afirma Rager. Talvez seja isso que esteja em jogo: não uma tendência isolada, mas uma mudança de base.
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