Do Micro Ao Macro

Reforma tributária: 42% das PMEs não sabem o tamanho do impacto no próprio negócio

Levantamento da Serasa Experian mostra que empresas enfrentam dificuldades para traduzir as mudanças do novo modelo em decisões práticas de gestão.

Reforma tributária: 42% das PMEs não sabem o tamanho do impacto no próprio negócio
Reforma tributária: 42% das PMEs não sabem o tamanho do impacto no próprio negócio
Reforma Tributária exige ajustes imediatos das empresas para 2026Imagem: Freepik Reforma Tributária
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A reforma tributária já entrou no radar das micro e pequenas empresas, mas ainda não se traduziu em ação concreta para boa parte delas. Segundo o Panorama PME da Serasa Experian, 42% das PMEs brasileiras afirmam estar avaliando como as mudanças previstas pela nova legislação podem afetar seus negócios. Outros 40% sequer sabem em que estágio de preparação se encontram.

O levantamento, em sua sexta edição, foi realizado entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, com 1.032 respondentes de todo o país, representando empresas de diferentes portes e setores.

Entre as que já têm uma leitura mais definida sobre o tema, 31% enxergam a reforma de forma predominantemente positiva e cerca de 22% têm percepção mais negativa. O mercado, portanto, ainda passa por um período de interpretação e acomodação às mudanças que virão.

Adaptação em ritmos diferentes

Parte das empresas já avançou. Segundo o estudo, 17% afirmam ter implementado a maior parte das adaptações necessárias, e 15% dizem ter iniciado planejamento com ações práticas. Outros 14% ainda estão na fase de estudo, e 14% ainda não tomaram nenhuma iniciativa.

“A reforma tributária representa uma mudança estrutural relevante para o ambiente de negócios no país e sabemos que é um tema complexo, que ainda gera muitas dúvidas no empreendedor brasileiro”, afirma Cleber Genero, vice-presidente de pequenas e médias empresas da Serasa Experian. “Nosso compromisso é traduzir essas mudanças em linguagem simples e oferecer ferramentas práticas para que as empresas façam essa transição com segurança e previsibilidade.”

A transição para o novo modelo tributário começa em 2026, em caráter experimental, e segue de forma progressiva até 2033. Nesse período, PIS, Cofins, ICMS e ISS serão gradualmente substituídos por um modelo dual de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), dividido entre a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal.

Entender as regras da reforma tributária é o maior obstáculo

Quando questionadas sobre os principais desafios diante da reforma tributária, as empresas apontam dificuldades que vão além da legislação em si. Compreender as novas regras lidera a lista, citada por 20% dos respondentes, seguida pela necessidade de avaliar o impacto em custos, preços e margens (18%).

O cumprimento correto das obrigações fiscais preocupa 17% das empresas. Já o acompanhamento contínuo das mudanças regulatórias foi mencionado por 16%. A lista segue com ajuste de sistemas e softwares (11%), capacitação de equipes (11%), acompanhamento de futuras regulamentações (10%), organização de informações para o período de transição (9%) e comunicação de mudanças a clientes e fornecedores (8%).

Simples Nacional representa quase metade dos respondentes

O perfil das empresas ouvidas reflete o universo do pequeno empresariado brasileiro. MEIs respondem por 39% da amostra, microempresas por 20% e empresas de pequeno porte por 12%. Também participaram médias empresas (11%) e grandes empresas (19%).

Em relação ao regime tributário, 46% dos respondentes estão no Simples Nacional. O regime terá tratamento diferenciado após a adoção do novo modelo, mas o processo de adaptação à lógica de créditos ao longo da cadeia produtiva ainda deverá exigir atenção das PMEs. Os demais respondentes estão distribuídos entre Lucro Real (10%) e Lucro Presumido (9%).

Por setor, predominam empresas de serviços (45%) e comércio (39%), com participação da indústria (16%). A região Sudeste concentra 36% dos respondentes, seguida por Sul (23%), Nordeste (15%), Norte (14%) e Centro-Oeste (10%).

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