Política

GloboNews admite ‘material errado’ e pede desculpas por arte que associou Lula ao escândalo do Master

O veículo reconheceu que o material embaralhou relações distintas e ‘não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações’

GloboNews admite ‘material errado’ e pede desculpas por arte que associou Lula ao escândalo do Master
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Reprodução/GloboNews
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A GloboNews se retratou com seus telespectadores após a exibição de um quadro, na última sexta-feira 20, que resumia as relações entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com os principais nomes da República. O pedido de desculpas foi lido pela jornalista Andreia Sadi, durante o Estúdio I desta segunda-feira 23.

No material visual, o presidente Lula (PT), o chefe do Banco Central Gabriel Galípolo e o ex-ministro Guido Mantega, além de outros personagens, apareciam em primeiro plano na teia de relacionamentos do banqueiro. Figuras da ultradireita e do Centrão, cujos nomes são mencionados em investigações sobre o Master, estavam em segundo plano.

O veículo reconheceu que “o material estava errado e incompleto” e que “não deixou claro o critério que foi usado para a seleção das informações”.

Segundo a emissora, o conteúdo acabou embaralhando naturezas distintas de relação: misturou contatos institucionais com vínculos contratuais ou pessoais, além de deixar de fora personagens que estão sob escrutínio da Polícia Federal ou que, à luz das apurações, poderiam ser classificados como envolvidos em práticas não republicanas.

“Diante de um material incompleto e em desacordo com os nossos princípios editoriais, a gente pede desculpas”, concluiu Sadi, em nome da emissora.

Repercussão crítica

O quadro provocou uma onda de reação crítica nas redes sociais. Políticos e ex-funcionários da própria Globo viram na peça gráfica ecos de um episódio que ainda assombra o jornalismo brasileiro: o PowerPoint apresentado pelo ex-procurador Deltan Dallagnol, em 2016, no auge da Lava Jato, que colocava Lula como figura central de um esquema sem provas robustas apresentadas à época.

“Dia da vergonha”, resumiu a ex-repórter especial da emissora Neide Duarte. O jornalista Ari Peixoto foi além: “Cenas como esta serão comuns até outubro. O PowerPoint da Lava Jato vai parecer desenho de criança do jardim de infância”.

No campo político, as reações seguiram o mesmo tom. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT), classificou o episódio como um “desserviço jornalístico”, acusando a emissora de tentar vincular indevidamente Lula ao caso do Banco Master — ligação que, até aqui, não aparece nas investigações.

Na mesma linha, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) acusou o veículo de construir uma narrativa enviesada: “Omitiram nomes, esconderam responsabilidades e tentaram reescrever a história para criar um clima artificial de perseguição, igual ao que já vimos lá atrás”.

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