Do Micro Ao Macro

Oito em cada dez consumidores tiveram problemas em sites estrangeiros de e-commerce

Levantamento do Instituto Locomotiva ouviu 2.500 brasileiros e expõe falhas de entrega, produtos falsificados e ausência de fiscalização nas plataformas internacionais

Oito em cada dez consumidores tiveram problemas em sites estrangeiros de e-commerce
Oito em cada dez consumidores tiveram problemas em sites estrangeiros de e-commerce
Liquidações online ganham espaço nas PMEs em janeiro Liquidações online ganham espaço nas PMEs em janeiro
Apoie Siga-nos no

Oito em cada dez brasileiros que compraram em sites estrangeiros de e-commerce relatam algum tipo de problema. Os dados são de um levantamento do Instituto Locomotiva com 2.500 pessoas em todo o país, divulgado no Mês do Consumidor, e apontam falhas que vão da entrega à qualidade dos produtos.

A pesquisa mostra que metade dos entrevistados enfrentou atrasos na entrega. Outros 32% afirmam que a mercadoria simplesmente não chegou, e 42% receberam produtos danificados, com durabilidade inferior ao esperado ou fora do padrão anunciado.

Pós-venda deixa consumidor sem saída

Os problemas não param no recebimento. Um terço dos entrevistados disse não ter conseguido atendimento adequado após a compra. Outros 32% relatam dificuldades para realizar trocas ou devoluções.

A questão da autenticidade também preocupa: 64% dos consumidores afirmam já ter adquirido produtos falsificados nessas plataformas. Um número que evidencia a extensão do problema além do atraso logístico.

Fiscalização ausente e consumidor sem informação

Um dado estrutural ajuda a explicar parte dessas falhas. Mais da metade dos entrevistados, 51%, desconhece que produtos vendidos por plataformas internacionais não passam, necessariamente, pelo controle de órgãos como Anvisa e Inmetro.

Em 2025, uma perícia do Instituto para Desenvolvimento do Varejo identificou a venda de itens proibidos nessas plataformas, incluindo supostos tratamentos para doenças graves e produtos fora das normas de segurança brasileiras.

Diante desse quadro, 82% dos entrevistados defendem fiscalização na entrada dos produtos e responsabilização das plataformas pelos itens comercializados.

Preço ainda sustenta o consumo nos sites estrangeiros de e-commerce

Mesmo com tantos relatos de problemas, o consumo nos sites estrangeiros de e-commerce segue elevado. O principal motor é o preço. Essas empresas operam com custos menores, favorecidos por subsídios, menor exigência regulatória e carga tributária de cerca de 45%, ante quase 90% do varejo nacional.

O imposto de importação retomado em 2025 teve impacto limitado sobre o comportamento dos consumidores: apenas 12% deixaram de comprar. Outros 36% reduziram o volume de compras, mas a maioria manteve ou até ampliou o consumo.

“O consumidor entra pelo preço, mas fica mais exposto a problemas. Quando não há o mesmo nível de regra para todos, isso aparece na experiência e na competição”, afirma Hygor Roque, Head of Revenue da Divibank.

Varejo brasileiro tem preferência quando as condições são iguais

Quando o preço deixa de ser o fator decisivo, a preferência pelo mercado nacional aparece com clareza. Setenta e cinco por cento dos entrevistados dizem preferir produtos brasileiros, e 67% optam por presentear com itens fabricados no país.

Os números indicam que, em condições mais equilibradas entre plataformas nacionais e internacionais, o varejo local tem espaço para recuperar terreno junto ao consumidor.

ENTENDA MAIS SOBRE: ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo