Mundo
Governo dos EUA processa Harvard por permitir o ‘antissemitismo’
Trata-se do episódio mais recente da ofensiva do governo dos EUA contra a renomada e mais antiga universidade do país
O governo dos Estados Unidos entrou com uma ação judicial contra a Universidade de Harvard nesta sexta-feira 20, acusando a instituição de permitir um “ambiente hostil” contra estudantes judeus e israelenses durante manifestações pró-palestinos no campus entre 2023 e 2025.
Donald Trump lançou uma ofensiva contra as principais universidades americanas, alegando que elas autorizaram movimentos pró-palestinos durante a ofensiva israelense na Faixa de Gaza, movimentos que a Casa Branca considera antissemitas.
O Departamento da Justiça entrou com uma ação semelhante contra a Universidade da Califórnia. Na nova denúncia, o Executivo afirma que “o corpo docente e a direção de Harvard ignoraram o antissemitismo e a discriminação contra judeus e israelenses”.
“Harvard permitiu que manifestantes anti-israelenses ocupassem suas bibliotecas. Harvard permitiu que um acampamento anti-israelense permanecesse por vinte dias, em violação à regulamentação universitária”, afirma a denúncia, apresentada em um tribunal de Massachusetts. “Harvard fomentou e continua fomentando um ambiente no campus onde o antissemitismo hostil e o comportamento anti-Israel prosperam.”
Em resposta ao processo, a universidade declarou que se preocupa “com os membros das comunidades judaica e israelense”.
Também afirmou ter “reforçado a formação e a educação sobre antissemitismo para estudantes, professores e funcionários”, o que “demonstra exatamente o oposto da indiferença deliberada”.
O governo Trump pediu ao tribunal que declarasse que Harvard violou seu contrato com o governo federal e, portanto, que liberasse o governo de pagar milhões de dólares em fundos federais à universidade, além de exigir a devolução do dinheiro já desembolsado.
Essa ação é o episódio mais recente da ofensiva do governo Trump contra a renomada e mais antiga universidade dos Estados Unidos.
Um juiz federal, em resposta a um processo movido por Harvard, ordenou que o governo liberasse 2,6 bilhões de dólares (13,7 bilhões de reais) em financiamento para a universidade.
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