Política
O que se sabe sobre polêmica no PSOL relacionada à possível saída de Boulos
O tema ganhou tração desde que o partido rejeitou compor uma federação com o PT
A corrente do PSOL ligada ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, discute a possibilidade de deixar o partido nas próximas semanas, apurou CartaCapital com fontes próximas às negociações. Neste momento, o provável destino é o PT.
O movimento ganhou força após a direção do PSOL, sob comando de Paula Coradi, rejeitar por maioria a formação de uma federação com os petistas.
Na avaliação do grupo aliado de Boulos, ao recusar a aliança com o PT, o PSOL optou por um “caminho de isolamento”, classificado como “sectário”. Entre os principais expoentes dessa corrente, a Revolução Solidária, também estão os deputados federais Pastor Henrique Vieira e Érika Hilton, e a deputada estadual Dani Monteiro (RJ).
Os rumores da possível troca de partido vieram a público nesta sexta-feira 20, após a divulgação de uma carta por dissidentes da tendência segundo os quais a coordenação da Revolução já teria sido informada sobre a filiação de Boulos ao PT. O documento também sustenta que a suposta decisão teria sido alinhada no fim do ano passado, em conversa com o presidente do diretório petista em São Paulo, Kiko Celeguim.
A interlocutores, Celeguim argumenta que as tratativas entre ele e Boulos envolveram apenas a possível federação partidária. O ministro também nega haver qualquer definição e afirma discutir os “rumos” do grupo político. Em nota à imprensa, criticou a divulgação de uma “carta apócrifa” que, segundo ele, revela “oportunismo e desespero” de setores internos.
É a mesma linha adotada pela Revolução Solidária, que, em comunicado nas redes sociais, acusou os dissidentes de tentar construir uma “narrativa artificial” e “mentirosa”. Para a corrente de Boulos, esses setores defendem um PSOL restrito ao papel de “consciência crítica da esquerda”, sem atuar na construção de saídas políticas.
Nos bastidores, integrantes do PT confirmam a existência de conversas para filiar Boulos e sua esposa, Nathália Boulos (que deve ser candidata a deputada federal), mas evitam proferir declarações públicas sobre o tema em razão do que veem como um “racha” no PSOL.
Um cacique petista diretamente envolvido nas tratativas aponta existir um impasse central: definir se parlamentares com mandato migrariam durante a janela partidária ou tentariam uma saída negociada apenas após as eleições.
Esse cálculo pesa especialmente no caso de Érika Hilton. Recém-eleita presidenta da Comissão da Mulher da Câmara, a deputada perderia o comando do colegiado caso trocasse de partido agora, já que a vaga é vinculada à bancada do PSOL. Procurada pela reportagem, ela ainda não respondeu. O espaço permanece à disposição.
Boulos e seu grupo eram os principais entusiastas da federação com os petistas, mas enfrentavam forte oposição interna. As demais alas da legenda avaliavam, por exemplo, que a união poderia prejudicar candidaturas próprias em diferentes estados ao favorecer integrantes do PT, além de descaracterizar o programa político da legenda, que surgiu em 2005 como uma dissidência do Partido dos Trabalhadores.
Uma possível migração de Boulos para o PT já circulava nos bastidores desde sua ida para a Esplanada, mas ganhou tração durante as negociações sobre a federação. Ao aceitar o convite para o ministério, o ex-líder do MTST topou não disputar as eleições deste ano para trabalhar na campanha à reeleição de Lula.
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