Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Apesar do repertório pop-rock, Otto lamenta não ser chamado para festivais

Cantor, compositor e percussionista prepara novo álbum com parcerias de peso

Apesar do repertório pop-rock, Otto lamenta não ser chamado para festivais
Apesar do repertório pop-rock, Otto lamenta não ser chamado para festivais
O cantor Otto – imagem: reprodução
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A carreira do pernambucano Otto é marcada pela junção de elementos do pop, do rock, da música eletrônica e de ritmos tradicionais. O cantor, compositor e percussionista faz isso com maestria, desde o seu primeiro disco solo, o Samba pra Burro (1998).

O som do artista tem uma característica contemporânea e perfil para integrar line-ups de festivais pelo país afora. Só que isso não acontece.

“Não faço parte dos festivais, mas podia participar. Minha música é pop e rock and roll”, diz o músico em entrevista a CartaCapital. Ele avalia que suas escolhas políticas “inusuais” o prejudicam na hora de o convidarem para cantar nesse tipo de evento.

“Posso trabalhar para qualquer coisa. Não tenho problema. Mas a ambição está muito grande e qualidade vai se perdendo, o romantismo vai se perdendo”, afirma.

Otto, no entanto, está feliz por participar de um dos principais festivais no exterior. Trata-se do Festival Músicas do Mundo (FMM), em Sines, Portugal, entre 17 e 25 de julho. “Mas faço lá fora”, ressalta.

O músico pernambucano participou ativamente do Manguebeat no Recife em meados dos anos 1990, tendo integrado as duas principais bandas do movimento: Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A.

Samba pra Burro, o álbum de estreia, é considerado um projeto inovador. “Foi um divisor de águas porque na música eletrônica tudo estava começando naquela época”, diz.

O disco também tem inserções importantes de percussão, o que fez toda diferença sonora. “Sou percussionista desde que nasci. Com 12 anos tocava ganzá em Belo Jardim [cidade natal em Pernambuco] naqueles bailes de carnaval”, recorda.

Ele lembra que quando ouviu o disco Martinho da Vila, Canta, Canta Minha Gente (1974), pirou com a instrumentação percussiva.

Otto conta que Chico Science teve contato com as alfaias em Peixinhos, região carregada de ancestralidade no Recife, onde o movimento fundado por eles ganhou forma. “É um bairro de resistência”, diz. O instrumento de percussão do maracatu foi inserido na sonoridade produzida pelo Manguebeat.

A segunda fase da carreira de Otto começou no álbum Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (2009). “Descobri que poderia compor algo com sentimento. Consegui fazer uma narrativa de minha vida, embora não dispensasse o social”, pontua.

A terceira viria com os disco Ottomatopeia (2017) e Canicule Sauvage (2022), trabalhos que refletiram os tempos obscuros vividos pelo País.

“A minha maior dificuldade hoje como artista é tentar ser avant-garde, olhar para o futuro”, afirma. O músico vê hoje uma dificuldade de o público encarar a temática da verdade na música. “Não sei se as pessoas querem a verdade”, afirma.

Otto tem gravado aos poucos seu oitavo álbum solo de inéditas. O disco terá o seu nome, só que grafado com “O”, mais o símbolo do “Pi”, representado pela letra grega π, e o “O” de novo, resultando em Oπo – ou seja, também poderá ser lido como “ópio”.

Ele contou que o novo trabalho terá parceiros musicais importantes, que ele chamou de mestres, incluindo Hyldon, Michael Sullivan, Marcos Valle, entre outros. “São parcerias com meus ídolos”, define. A previsão é que o disco saia até o final do ano.

Assista à entrevista de Otto a CartaCapital:

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