Economia
Comissão de Ética abre processo para analisar possível omissão de Campos Neto no caso Master
A comissão vai avaliar a admissibilidade de uma denúncia apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ)
A Comissão de Ética Pública da Presidência instaurou procedimento para avaliar a admissibilidade de uma denúncia por suposta omissão do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto na fiscalização do Banco Master. A decisão, tomada na última terça-feira, atende a pedido feito pelo vice-líder do governo Lula na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), e tramita sob sigilo.
Ao acionar o colegiado, Lindbergh cita supostos alertas enviados pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) à autoridade monetária a respeito dos riscos da gestão do banco de Daniel Vorcaro. Esses comunicados, segundo o deputado, indicariam para uma possível omissão de Campos Neto, que não teria produzido “reação institucional proporcional à gravidade do cenário”.
Esses mesmos argumentos foram levados à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal. “Quando entidades com esse nível de inserção institucional, em tese, formalizam advertência escrita ao Banco Central, o fato deve ser considerado como elemento apto a acionar deveres reforçados de cuidado, registro, análise e resposta por parte da alta administração”, sustentou o parlamentar.
O andamento do caso foi revelado pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmado por CartaCapital. A reportagem não conseguiu contato com o ex-chefe do BC para comentários. O espaço para manifestação segue aberto.
A abertura do procedimento de admissibilidade é o passo inicial à instauração de um procedimento preliminar, que se compara a um inquérito na esfera judicial. Ao final da apuração, que prevê a apresentação de defesa pelo acusado, o relator do caso decide se rejeita a denúncia ou apresentar parecer pela abertura de um processo no colegiado da CEP.
A comissão pode concluir pelo arquivamento definitivo ou pela aplicação da pena de censura, que, na prática, não tem implicação jurídica na vida do sancionado.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Anatel atesta que Vorcaro contatou número do STF, diz presidente da CPMI do INSS
Por Wendal Carmo
A dupla estratégia de Fachin para lidar com a crise do Master no Supremo
Por Maiara Marinho



