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Suécia banca, via extrema-direita, entidade ligada à nora de Bolsonaro no Brasil

Reportagem de jornal sueco indica que verba destinada à promoção internacional da democracia alcança organização presidida por Heloísa Bolsonaro e alinhada ao ideário antiaborto

Suécia banca, via extrema-direita, entidade ligada à nora de Bolsonaro no Brasil
Suécia banca, via extrema-direita, entidade ligada à nora de Bolsonaro no Brasil
Eduardo e Heloisa Bolsonaro. Foto: Reprodução
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Uma reportagem do jornal sueco Dagens Nyheter expôs um constrangimento político para a cooperação internacional da Suécia: parte de uma verba pública voltada, em tese, ao fortalecimento da democracia no exterior irriga uma organização brasileira presidida por Heloísa Bolsonaro, nora do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Trata-se do Institute for Conservative Action (IAC), entidade registrada em São Paulo e parceira da Hepatica, organização vinculada aos Democratas da Suécia (SD), partido da extrema direita sueca.

Segundo o jornal, a Hepatica receberá neste ano 23 milhões de coroas suecas – o equivalente a 12 milhões de reais – em recursos de cooperação, apesar de a agência estatal Sida já ter classificado os riscos da operação como “extremos”.

Essa verba, em princípio, deveria financiar ações de promoção democrática. No entanto, o parceiro ligados aos Bolsonaro se apresenta como defensor da vida “desde a fecundação”, da “família natural” e do combate à “sexualização” e à “doutrinação” nas escolas — formulações típicas do corolário moral e político da nova direita. O próprio IAC afirma que busca influenciar a sociedade e a legislação em direção conservadora.

Ainda de acordo com o Dagens Nyheter, a parceria prevê a formação de 350 jovens líderes em “princípios democráticos” ancorados em “valores conservadores e judaico-cristãos”.

Confrontado com o teor antiaborto e antigênero do grupo brasileiro, o secretário-geral da Hepatica, Stefan Dozzi, evitou discutir o mérito das posições defendidas pelo IAC e alegou que o relevante é apenas o cumprimento formal dos objetivos do projeto.

Em resposta ao jornal, a Sida afirmou que contratos desse tipo obrigam os parceiros a agir contra qualquer uso dos recursos por atores que, entre outras coisas, comprometam os direitos de meninas e mulheres. A agência sustenta que pode reduzir repasses, bloquear pagamentos ou exigir a devolução do dinheiro.

Na Suécia, parte dos recursos de cooperação internacional é distribuída por meio de organizações ligadas a partidos políticos, inclusive siglas que compõem a base do governo. A dificuldade de rastrear com transparência o destino final de uma fatia desses recursos vem alimentando o questionamento político em torno do caso.

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