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Presidenta da Venezuela destitui ministro da Defesa apontado como ligado a Maduro
Vladimir Padrino, de 62 anos, estava no cargo desde 2014 e era considerado a peça de Nicolás Maduro dentro da cúpula militar
A presidentainterina da Venezuela, Delcy Rodríguez, destituiu nesta quarta-feira 18 o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, que esteve à frente das Forças Armadas chavistas durante mais de uma década.
Rodríguez assumiu funções temporárias após a queda de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro. Os militares, pilar do chavismo, expressaram-lhe seu apoio irrestrito e absoluta “lealdade” na ausência do líder de esquerda.
Padrino, de 62 anos, estava no cargo desde 2014 e era considerado a peça de Maduro dentro da cúpula militar.
“Agradecemos ao G/J (general em chefe, ndr) Vladimir Padrino López por sua entrega, sua lealdade à Pátria e por ter sido, durante todos estes anos, o primeiro soldado na defesa de nosso País”, escreveu Rodríguez no Telegram.
“Estamos certos de que assumirá com o mesmo compromisso e honra as novas responsabilidades que lhe serão confiadas”, acrescentou, sem detalhá-las.
A presidente interina também nomeou para chefiar o Ministério da Defesa Gustavo González López, que foi designado poucos dias após a queda de Maduro como chefe da guarda presidencial e da temida direção de contrainteligência.
Além das armas, os militares na Venezuela controlam empresas de mineração, petróleo e distribuição de alimentos, assim como as aduanas e importantes ministérios, em meio a numerosas denúncias de abusos e corrupção.
Lealdade e subordinação absoluta
Padrino era um dos poucos aliados próximos de Maduro que permaneciam no governo interino. Tarek William Saab renunciou em fevereiro à Procuradoria-Geral após quase uma década de uma atuação que especialistas classificam como subserviente ao chavismo.
O poderoso ministro do Interior, Diosdado Cabello, permanece no cargo.
Vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu funções temporárias após a queda do mandatário em uma incursão na qual morreram cerca de uma centena de pessoas, incluindo militares.
Os militares, pilar do chavismo, expressaram-lhe seu apoio irrestrito na ausência do líder de esquerda. O próprio Padrino, no cargo desde 2014, jurou-lhe sua “lealdade e subordinação absoluta”.
“Estamos certos de que assumirá com o mesmo compromisso e honra as novas responsabilidades que lhe serão confiadas”, acrescentou a mandatária interina, sem detalhá-las.
Rodríguez governa sob forte pressão dos Estados Unidos, que afirmam estar à frente do país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
Ela reformou a lei petrolífera e promulgou uma histórica anistia, ao mesmo tempo em que avança com mudanças em seu gabinete e no Exército, incluindo os generais que comandam as tropas nas regiões da Venezuela.
Força Armada chavista
Batizada como bolivariana pelo falecido presidente Hugo Chávez (1999–2013), a Força Armada venezuelana não esconde sua politização. Já teve entre seus lemas “Pátria, socialismo ou morte!” e o atual “Chávez vive!”.
A Constituição promovida por Chávez em 1999 concedeu direito de voto aos militares, que também ganharam enorme poder ao ocupar cargos-chave em instituições do Estado.
Além das armas, os militares na Venezuela controlam empresas de mineração, petróleo e distribuição de alimentos, assim como as aduanas e importantes ministérios, em meio a numerosas denúncias de abusos e corrupção.
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