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Polícia vê injúria racial e indicia professor que comparou aluno a chimpanzé em escola de Maceió

O caso aconteceu em fevereiro, mas só ganhou repercussão após a abertura de um inquérito policial na Delegacia Especial dos Crimes contra Vulneráveis

Polícia vê injúria racial e indicia professor que comparou aluno a chimpanzé em escola de Maceió
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Ascom/PC-AL
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A Polícia Civil de Alagoas indiciou, nesta quarta-feira 18, por injúria racial, um professor de matemática acusado de comparar um adolescente de 13 anos a um chimpanzé durante aula em um colégio particular de Maceió. Agora, cabe ao Ministério Público estadual decidir se acolhe a argumentação da corporação e denuncia o homem, cujo nome não foi revelado, ou arquiva o caso.

O caso aconteceu em fevereiro, mas só ganhou repercussão após a abertura de um inquérito policial na Delegacia Especial dos Crimes contra Vulneráveis. A prática de injúria racial é punida com reclusão de dois a cinco anos. A pena pode ser agravada em até um terço quando praticada com intuito recreativo ou em ambiente escolar, de acordo com o Código de Processo Penal.

A defesa do aluno afirma que o episódio aconteceu após outro aluno levar a foto do animal para a sala de aula e mostrá-la ao professor, perguntando com quem a imagem se parecia.

“O professor se aproximou e apontou para a criança negra que estava na sala de aula. Aí começou o bullying, porque todos os colegas começaram a rir. Ele ficou acuado, em silêncio. Chegou em casa calado, com o psicológico abalado, chorou muito junto ao pai, contando o que aconteceu”, disse o advogado da vítima em entrevista à imprensa local.

De acordo com o defensor, devido à situação, o estudante passou dois dias sem ir ao colégio e só teve ânimo para voltar às aulas após descobrir que o professor tinha sido demitido.

Quando o caso veio à tona, o Colégio Fantástico repudiou “todo e qualquer ato de racismo, discriminação ou preconceito”, afirmou ter levado a situação ao Conselho Tutelar de Maceió e informou estar à disposição para colaborar com as investigações.

A investigação da Polícia envolveu a oitiva de testemunhas presenciais, análise de registros audiovisuais do ambiente escolar e depoimentos da coordenação pedagógica. “A Polícia Civil reitera seu compromisso com o combate rigoroso a todas as formas de racismo, especialmente quando praticadas por aqueles que detêm o dever legal e ético de educar e proteger”, declarou a delegada Rebecca Cordeiro, responsável pelo inquérito.

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