Economia

Governo vai barrar empresas que descumprem tabela do frete para evitar greve de caminhoneiros

Pacote amplia fiscalização, expõe grandes infratores e cria mecanismo para impedir contratação de frete por reincidentes

Governo vai barrar empresas que descumprem tabela do frete para evitar greve de caminhoneiros
Governo vai barrar empresas que descumprem tabela do frete para evitar greve de caminhoneiros
O presidente Lula acompanhado do ministro dos Transportes, Renan Filho, no Palácio do Planalto. Foto: José Cruz/Agência Brasil
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Sob risco de paralisação nacional de caminhoneiros, o governo Lula (PT) anunciou nesta quarta-feira 18 um conjunto de medidas para reforçar o cumprimento da tabela do frete e endurecer a punição a empresas que insistem em descumprir a regra. O pacote combina ampliação da fiscalização, maior transparência sobre infratores e novas sanções que podem impedir companhias de contratar transporte.

O anúncio partiu do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), para quem o principal problema é o descumprimento recorrente da tabela mínima de frete, o que tem comprimido a renda dos motoristas. “Muitos caminhoneiros sentem um achatamento do custo do frete. Isso compromete a renda, a segurança e a sustentabilidade da própria atividade.”

Como resposta, o governo decidiu ampliar a fiscalização. A Agência Nacional de Transportes Terrestres passará a monitorar, de forma eletrônica, todos os fretes realizados no País, com base em dados compartilhados com os fiscos estaduais. 

De acordo com o ministro, a fiscalização já é mais intensa desde o início do governo. O volume de verificações eletrônicas saltou de cerca de 300 para seis mil mensais ao longo do último ano, chegando a 40 mil verificações em janeiro de 2026. Ainda assim, o problema persistiu. “Isso não é algo pontual, é recorrente. Tem gente que atua nisso como indústria, entende o descumprimento da tabela como maneira de reduzir custos”, afirmou.

O ministro ressaltou que apenas multar não tem sido suficiente para corrigir a distorção. Por isso, o governo decidiu avançar em medidas regulatórias mais duras. A principal mudança permitirá impedir que empresas reincidentes contratem frete. “Era preciso ir além da fiscalização. A empresa que não cumpre a tabela poderá ser impedida, a depender do volume e da reincidência, de contratar frete.”

Segundo Renan Filho, as multas aplicadas em empresas de frete nos últimos 4 meses já superaram 419 milhões de reais em arrecadação.

A lógica, ainda conforme o ministro, é semelhante à aplicada a devedores contumazes de tributos. “É um modelo mais moderno, progressivo, preventivo e estrutural. Se há uma lei, ela precisa ser cumprida.” 

O governo também decidiu dar publicidade aos principais infratores, como forma de pressão de mercado. Para o ministro, a presença de grandes empresas entre os autuados mostra que o problema é estrutural.

As medidas são adotadas em meio à insatisfação crescente dos caminhoneiros, pressionados pela alta do diesel e pela defasagem do frete. Lideranças da categoria já falam em paralisação, evocando o cenário de 2018, quando uma greve nacional provocou desabastecimento e forte impacto econômico.

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