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Decore sua casa nova com IA antes de comprá-la: entenda o que é home staging

 O home staging é uma técnica amplamente utilizada no exterior para otimizar a venda de imóveis no mercado imobiliário. Em vez de apresentar um espaço vazio ao potencial comprador, o ambiente recebe  uma decoração planejada que ajuda o cliente a visualizar como aquele imóvel poderia […]

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 O home staging é uma técnica amplamente utilizada no exterior para otimizar a venda de imóveis no mercado imobiliário. Em vez de apresentar um espaço vazio ao potencial comprador, o ambiente recebe  uma decoração planejada que ajuda o cliente a visualizar como aquele imóvel poderia se transformar em um lar.

Apesar da eficácia, a prática tradicional envolve custos elevados para imobiliárias e corretores. Isso porque o processo exige o transporte de móveis, montagem da decoração, desmontagem após a venda e a retirada completa dos itens do imóvel, além do aluguel do mobiliário.

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Diante desse desafio logístico e financeiro, empresas têm buscado alternativas tecnológicas para tornar o processo mais simples. Uma delas é a Ruum, empresa de home staging virtual que combina tecnologia, inteligência artificial e o olhar estético de arquitetos para criar ambientes decorados digitalmente.

Da experiência prática à solução tecnológica

Créditos: Divulgação

Legenda: Leandro Araújo, CEO da Ruum

A ideia surgiu a partir da experiência profissional de Leandro Araújo, arquiteto e atual CEO da empresa. Segundo ele, a inspiração veio após um teste realizado em 2023. Na ocasião, Araújo foi convidado para realizar um home staging como proposta experimental no Brasil. O resultado chamou a atenção: um imóvel que levaria, em média, dez meses para ser vendido foi negociado em aproximadamente dois meses e meio. A experiência levantou uma questão imediata. “Por que todo mundo não faz isso?”, lembra o executivo. 

A resposta, segundo ele, apareceu rapidamente. “Porque é muito difícil operacionalmente. Funciona, mas envolve uma logística enorme. É preciso transportar móveis, montar, desmontar, retirar depois da venda e levar para outro imóvel. É um processo complexo”, explica. Foi então que surgiu uma nova pergunta: como resolver esse problema utilizando inteligência artificial?

“Naquele momento, os modelos de inteligência artificial para geração de imagens estavam começando a atingir um nível de qualidade realmente utilizável. Então começamos a investigar como poderíamos usar esses modelos para reproduzir digitalmente o efeito do home staging”, conta Araújo.

Segundo ele, a estratégia também considera a forma como as pessoas procuram imóveis atualmente. “A busca por imóveis começa online. Quando a pessoa chega à visita presencial, metade da decisão já está tomada. O grande gargalo das imobiliárias hoje é a geração de leads”, explica

Como funciona o home staging virtual

A proposta da plataforma é simplificar o processo para imobiliárias e corretores. O cliente acessa o sistema, cria uma nova produção e escolhe entre diferentes soluções voltadas para imagens ou vídeos.

Entre as ferramentas disponíveis para imagens estão:

  • Smart Stage, que mobília imóveis vazios com o uso de inteligência artificial
  • Room Atelier, voltado para imóveis de alto padrão e que combina IA com o trabalho do time de arquitetos
  • Room Style, que permite atualizar ou modificar a decoração de ambientes já mobiliados

O funcionamento é simples. O usuário envia a foto do imóvel, seleciona o tipo de ambiente, como sala ou quarto, escolhe o estilo de decoração e, se desejar, pode incluir instruções adicionais ou imagens de referência. A partir dessas informações, o sistema gera automaticamente uma nova versão da imagem com o ambiente decorado. Quando o processo é concluído, o cliente recebe uma notificação para baixar o material.

A empresa também desenvolveu soluções de vídeo a partir de fotos, voltadas especialmente para divulgação nas redes sociais. Os vídeos podem incluir trilha sonora, narração simulando a voz de um corretor e transições que mostram o antes e o depois do ambiente.

Inteligência artificial x modelagem 3D

Segundo Araújo, uma das principais diferenças do home staging com inteligência artificial está na agilidade do processo quando comparado à modelagem 3D tradicional. “O projeto 3D tradicional exige muito trabalho manual. Normalmente o arquiteto envia a planta, o designer 3D reconstrói o ambiente inteiro no computador, aplica materiais e depois renderiza a imagem. Esse processo pode levar horas ou até dias, além de exigir profissionais especializados. Por isso ele acaba sendo caro”, explica.

Com o uso de inteligência artificial, o processo parte diretamente da foto real do ambiente. A tecnologia permite inserir a decoração digitalmente sobre a imagem existente, o que reduz etapas e torna a produção muito mais rápida.

“Antes, esse tipo de visualização era algo que apenas grandes incorporadoras conseguiam pagar. Agora, com a IA, até imobiliárias pequenas conseguem usar esse recurso. Na prática, a tecnologia abriu um mercado que antes praticamente não existia”, afirma

Tendência para o mercado imobiliário

Para Araújo, a tendência é que o uso de recursos visuais se torne cada vez mais comum no setor. “Acredito que em pouco tempo será raro encontrar anúncios de imóveis vazios. Vai ficar cada vez mais fácil e barato criar apresentações visuais completas, com imagens e vídeos”, afirma. Segundo ele, a tecnologia permite atender desde imobiliárias pequenas, com poucos corretores, até operações maiores, com centenas de profissionais.

O executivo também compara o momento atual com a evolução da fotografia imobiliária. No início dos portais de imóveis, os anúncios costumavam ser feitos com fotos simples de celular, muitas vezes de baixa qualidade. Com o tempo, surgiram fotógrafos especializados em fotografia imobiliária, e, no começo, muitos profissionais do setor consideram exagero contratar esse tipo de serviço.

Hoje, no entanto, esse padrão mudou. “Da mesma forma, acreditamos que mostrar um imóvel vazio em anúncios vai parecer tão ultrapassado quanto aquelas fotos antigas de baixa qualidade”, finaliza.

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